Por Lucas Baldisserotto, CEO do CIEE-RS
O acesso gratuito à saúde ainda é um dos maiores desafios das gestões públicas e impacta diretamente a vida de milhares de pessoas. Apesar das dificuldades, há de se exaltar o Sistema Único de Saúde (SUS) e sua capacidade de proporcionar atendimento amplo em um país de dimensões continentais como o Brasil.
Mas sua existência não pode ser justificativa para que novas iniciativas deixem de surgir. Ampliar o cuidado exige inovação, pensar soluções novas não é apenas uma escolha – é uma responsabilidade coletiva.
E já há evidências que embasam esse caminho. Estudo publicado em 2025 na Revista Interdisciplinar de Promoção da Saúde, a partir de experiência no município de Canoas, mostrou que o uso da telemedicina reduziu em cerca de 81% o tempo médio de espera por consultas especializadas, com queda de aproximadamente 241 para 44 dias.
A ciência mostra que o teleatendimento já é uma realidade capaz de transformar o acesso à saúde. É nesse contexto que iniciativas como o Viva+, desenvolvida pelo Centro de Integração Empresa Escola do Rio Grande do Sul (CIEE-RS), ganham relevância.
A proposta é aproveitar uma política pública já em andamento – que atende mais de 10 mil famílias de baixa renda no Estado – para ampliar esse cuidado por meio de um serviço gratuito de teleatendimento. A partir dessa experiência, será possível avaliar caminhos para expandir esse modelo e alcançar ainda mais pessoas.
Nos valemos de uma parceria já existente com o poder público para estruturar uma iniciativa que responde a uma necessidade concreta: ampliar a oferta de serviços em saúde. E essa ideia nasce do que somos hoje: uma instituição filantrópica que, cada vez mais, executa programas sociais públicos, movida por uma inquietação: afinal, o que mais é possível fazer?
Estamos mudando trajetórias e fortalecendo o futuro da sociedade
É importante que mais empresas nessa mesma posição possam compartilhar desse movimento coletivo de construção de soluções, assumindo também o papel de protagonistas na busca por respostas mais eficientes e humanas para desafios históricos.
Ampliar a assistência em saúde é, acima de tudo, garantir dignidade. E quando transformamos acesso em cuidado efetivo, não estamos somente melhorando indicadores, estamos mudando trajetórias e fortalecendo o futuro da sociedade.
