Por Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federasul
A rede ferroviária gaúcha, depois de ter sua operação desmantelada por uma concessão mal concebida da década de 1990, com serviços ruins, tratando clientes como reféns da ineficiência, chegou ao caos em 2025. Com a rede desconectada do restante do Brasil, testemunhamos a concessionária retirando trilhos de comunidades atingidas pela tragédia climática.
Tão chocante quanto termos sido desconectados do restante do país foram os projetos federais propondo manter a desconexão por décadas.
Um futuro promissor ou decadente passa necessariamente por conectividade
Numa economia cujo motor de indústria, comércio e serviços são as safras de grãos, os prejuízos de uma sequência de cinco anos de fenômenos climáticos extremos vêm sendo severamente agravados por uma concessão ferroviária que por décadas impediu o transporte competitivo com Centro-Oeste e Sudeste, sufocando cadeias produtivas inteiras com longos transportes rodoviários.
Sabemos que um futuro promissor ou decadente no Rio Grande do Sul passa necessariamente por conectividade (infraestrutura): nossa capacidade de interagirmos de forma eficiente com o Brasil, o Mercosul e o mundo, desde importar e exportar insumos até tecnologias, fontes de energia e produtos de valor agregado.
Porém, lastimavelmente, o governo federal trata com descaso a infraestrutura de transportes gaúcha, invertendo prioridades, propondo duplicações de pontes onde não testemunhamos engarrafamentos. Enquanto isso, não enfrenta o acesso ao Superporto do Rio Grande no lote 4, sufocado diariamente por manobras de trens que aprisionam motoristas em frente aos terminais portuários.
Ainda na integração modal, também causa indignação perceber que o único trecho rodoviário não duplicado entre Buenos Aires e Fortaleza é na BR-290 gaúcha, Uruguaiana-Porto Alegre, mesmo utilizada por todos. A exemplo da solidariedade de 2024, o reerguimento dos gaúchos também ocorrerá pela união com o Brasil, por meio de políticas de Estado que resgatem nossa capacidade de gerar riquezas e arrecadação, recolocando nos trilhos a máquina produtiva gaúcha em favor do país.

