Por Gabriela Ferreira, consultora em inovação e professora da PUCRS
Quando pensamos em empresas, vêm à tona conceitos como lucro, receita e margem de contribuição. No palco das startups surgem o break even, valuation e o ROI. Todas são medidas importantes e necessárias para acompanhar a saúde financeira das empresas e, portanto, dizer da sua probabilidade de persistir no mercado. A pergunta que fica é: são suficientes para medir o sucesso?
Quem me acompanha já leu aqui que sustentabilidade é um conceito que tem três dimensões: econômica, social e ambiental. Ocorre que, possivelmente desde a Revolução Industrial, o econômico cresceu às custas do ambiental e do social. Quando vemos produtos "baratos", às custas de trabalho análogo à escravidão ou poluição ambiental, entendemos o desequilíbrio nesse tripé. Não é à toa que a agenda ESG passa por altos e baixos: a equação não é simples, especialmente se as métricas de avaliação não mudarem.
A grande questão é: queremos empresas de curto prazo?
Das cinco principais ameaças globais do Fórum Econômico Mundial nos últimos 10 anos, três são ambientais. E o que o mercado está fazendo com a informação de que o ambiente para os negócios está se tornando hostil como consequência do seu próprio modus operandi? Por um lado, empresas estão avançando na transparência de relatórios de sustentabilidade, com 93% das grandes brasileiras publicando práticas ESG, segundo a KPMG. Por outro, em tempos de crises geopolíticas, os conselhos de administração derrubam temas ambientais nas prioridades, de acordo com estudo da EY Consultoria deste ano. E, embora dados como os da consultoria McKinsey mostrem que empresas com diversificação e inclusão têm maior probabilidade de desempenho financeiro superior, 92% dos investidores ainda temem efeitos negativos no curto prazo.
A grande questão é: queremos empresas de curto prazo? Talvez a realidade climática que se impõe nos diga que sim. Mas, para aqueles que acreditam em um futuro, é hora de pensar em resultados de impacto. A forma de avaliação condiciona o comportamento, mas somente o financeiro não garante mais a sobrevivência.



