Por Júlia Dal Magro, arquiteta e sócia da Woss Incorporadora
A arte tem o poder de transformar ambientes, atuando como um elemento sensorial e emocional, capaz de influenciar percepções e despertar sensações. Cores, formas, texturas e narrativas visuais ajudam a construir atmosferas que convidam à permanência, ao bem-estar e à conexão com o cotidiano.
A presença da arte em empreendimentos residenciais costumava estar ligada a uma seleção de peças artísticas pontuais, muitas vezes escolhidas ao longo do processo de design de interiores ou até mesmo na última etapa. Hoje, ela passa a ocupar um papel mais estruturante no projeto. A curadoria artística ganha protagonismo ao pensar o conjunto, o diálogo entre obras, espaços e moradores, criando uma narrativa coerente e integrada à arquitetura desde as primeiras decisões.
Ela amplia a experiência de morar, tornando os espaços mais acolhedores
O trabalho do curador parte da premissa do edifício residencial em questão: do entendimento geral do projeto arquitetônico, de interiores, iluminação e paisagismo. Integrada às etapas iniciais de pesquisa, a curadoria propõe um ritmo e um conjunto de sensações para as pessoas que irão viver naquele espaço. O resultado pode ir de uma obra até uma coleção, mas o conceito incorpora valor e potencializa a mensagem do projeto.
Em conjunto com a Paula Bohrer, entendi que a arte em certos empreendimentos pode aparecer como extensão dos volumes e transparências, reforçando o diálogo entre interior e exterior, entre o construído e o natural. E, ao ser incluída de forma intencional à arquitetura, ela amplia a experiência de morar, tornando os espaços mais acolhedores, expressivos e significativos. Mais do que um complemento estético, a arte passa a ser um agente ativo na criação de ambientes que refletem identidade, sensibilidade e uma nova forma de viver os espaços.

