Por Eliza Pierim, diretora de Cultura do Instituto Cultural Opus
Em um país marcado por desigualdades históricas e crises recorrentes, a cultura não pode ser vista como adorno, mas como eixo estratégico, importante ativo econômico e vetor de reconstrução social. Ela é território de pertencimento, memória e imaginação coletiva, elementos essenciais para recompor vínculos sociais fragilizados e projetar futuros possíveis. As instituições culturais ocupam um papel central nesse processo. Mais do que produtoras de eventos ou guardiãs de acervos, são agentes de mediação entre saberes, comunidades e políticas públicas. Em contextos de exclusão, a cultura cria pontes: amplia o acesso à educação simbólica, fortalece identidades diversas e gera oportunidades econômicas por meio da economia criativa.
Diante das crises contemporâneas, sociais, ambientais e democráticas, cabe às instituições culturais assumir uma postura ativa e ética. Isso implica descentralizar ações, ouvir territórios, valorizar narrativas historicamente silenciadas e investir em formação continuada. Cultura é também cuidado com pessoas, com o espaço público e com a democracia.
São agentes de mediação entre saberes, comunidades e políticas públicas
No Brasil, onde a desigualdade se expressa em acesso desigual a direitos básicos, a cultura tem potência transformadora quando articulada a projetos de inclusão, participação e inovação social. Reconstruir não é apenas reparar o que foi perdido, mas criar condições para que novos pactos sociais floresçam.
Quando tratada como política estruturante, a cultura reencanta o coletivo e sustenta processos duradouros de mudança. Relegá-la a um plano secundário é optar pela manutenção das desigualdades e pelo enfraquecimento dos vínculos sociais. Em um país que busca se reconstruir, a cultura não pode ser adiada: ela precisa ser assumida como compromisso público permanente.
Investir em cultura é apostar no desenvolvimento humano e na cidadania. Seus impactos vão além da economia, ampliando repertórios e fortalecendo a participação social. Ao valorizá-la, o país amplia sua capacidade de construir caminhos mais justos e sustentáveis.


