Por Douglas Prestes Uggeri, presidente do Hospital de Clínicas Ijuí (HCI)
Concentrar a saúde pública nos grandes centros urbanos é um modelo caro, ineficiente e, sobretudo, injusto. Quando serviços de média e alta complexidade ficam restritos às capitais, o sistema se sobrecarrega, os custos aumentam e o acesso se torna desigual. Filas extensas, deslocamentos exaustivos e atrasos no diagnóstico e no tratamento não são efeitos colaterais inevitáveis, mas consequências diretas de um desenho que ignora o território e a vida de quem mora no interior.
Interiorizar a saúde não é concessão nem favor às regiões afastadas. É condição básica para que o Sistema Único de Saúde funcione de forma eficiente, sustentável e equânime. Fortalecer hospitais regionais, ampliar a oferta de especialidades no interior e integrar esses serviços às redes de atenção não é apenas uma estratégia de desenvolvimento regional, mas uma decisão inteligente. Sistemas de saúde bem organizados operam com lógica territorial, aproximando o cuidado do usuário e reservando os grandes centros para funções específicas, e não para absorver demandas que podem ser resolvidas localmente.
É condição básica para que o SUS funcione de forma eficiente
A experiência do Hospital de Clínicas Ijuí (HCI) comprova que esse caminho é possível. Com atendimento ininterrupto, 24 horas por dia, é referência para cerca de 3,6 milhões de habitantes de mais de 283 municípios, abrangendo aproximadamente 57% do território gaúcho. Integrado ao SUS, responde por mais de 90% dos atendimentos, assegurando acesso a média e alta complexidades perto de onde as pessoas vivem. O resultado são menos deslocamentos desnecessários e mais agilidade para os diagnósticos.
Interiorizar a saúde é reconhecer que o cuidado não pode depender do CEP. Um sistema robusto se constrói com redes regionais fortes, articuladas e resolutivas. Em vez de concentrar, é preciso distribuir. Em vez de centralizar, integrar. Só assim o SUS será, de fato, eficiente e justo para todos.

