Por Maira Caleffi, mastologista e presidente do Conselho de Administração do Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC)
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras e também a principal causa de morte por câncer nessa população, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). De acordo com as estimativas mais recentes, o Brasil registra mais de 73 mil novos casos da doença por ano. Trata-se, no entanto, de um câncer que pode alcançar mais de 95% de chance de cura quando diagnosticado precocemente.
Na maioria das vezes, a doença é silenciosa em seus estágios iniciais, tornando o rastreamento essencial para o diagnóstico precoce
Neste 5 de fevereiro, Dia Nacional da Mamografia, fica o alerta: ampliar o acesso rápido ao exame de qualidade salva vidas. A mamografia é o método mais eficaz para a detecção precoce do câncer de mama e, conforme recomendação das sociedades médicas, deve ser realizada de forma regular a partir dos 40 anos. Isso porque, na maioria das vezes, a doença é silenciosa em seus estágios iniciais, tornando o rastreamento essencial para o diagnóstico precoce.
Reconhecendo esse desafio em escala global, a Organização Mundial da Saúde lançou, em 2021, o projeto Global Breast Cancer Initiative (GBCI), com o objetivo de reduzir iniquidades no rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Entre suas metas está garantir que ao menos 60% dos casos sejam diagnosticados nos estágios I e II, o que impacta diretamente a redução da mortalidade.
No Brasil, a mamografia é ofertada tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pela rede privada. Embora avanços tecnológicos venham sendo incorporados, persistem desafios estruturais relevantes. O resultado são atrasos no diagnóstico e início tardio do tratamento.
Experiências locais mostram que é possível avançar. Em Porto Alegre, por exemplo, a fila de espera para mamografias foi zerada no último ano, acelerando diagnósticos e tratamentos. Além do impacto positivo para as pacientes, a organização dos fluxos assistenciais permite aos gestores otimizar recursos, ampliar a capacidade de atendimento e qualificar o cuidado.
Investir em rastreamento não é apenas uma decisão clínica — é uma escolha de política pública, de governança e de compromisso com a vida das mulheres, garantindo que o direito à saúde não dependa do CEP de residência.




