Por Daniela Russowsky Raad, presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (Firs)
Seis milhões é um número grande demais para o imaginário humano. Talvez por isso, muitas vezes, ele seja tratado apenas como estatística. Mas o Holocausto não foi feito de números. Foi feito de pessoas, nomes, vozes, personalidades e rotinas, sonhos simples e futuros interrompidos de forma brutal.
Cada uma dessas vidas carregava um mundo inteiro. Havia mães, pais, crianças, idosos, artistas, trabalhadores comuns. Havia quem acreditasse que o pior não poderia acontecer. Havia quem confiasse que o bom senso prevaleceria. O Holocausto também foi a história de todas essas expectativas frustradas.
Quando o sofrimento vira dado, algo essencial se perde. E é justamente nesse vazio que o esquecimento começa a se instalar, silencioso e perigoso
Lembrar essa tragédia não é um exercício automático de memória histórica, mas um esforço consciente de resgatar a humanidade apesar da barbárie. Quando o sofrimento vira dado, algo essencial se perde. E é justamente nesse vazio que o esquecimento começa a se instalar, silencioso e perigoso.
A data de 27 de janeiro, Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, nos convoca a mais do que homenagens. Ela nos desafia a não permitir que a desumanização se torne aceitável, que o ódio seja relativizado ou que a dor do outro seja tratada como exagero. O Holocausto não começou com campos de extermínio, começou quando pessoas passaram a ser vistas como menos dignas de existir.
Lembrar é um ato profundamente humano, é uma forma de recusar o conforto da indiferença. É devolver rostos, histórias e dignidade àquilo que o ódio tentou apagar. Nos dias de hoje, o “Nunca Mais” só tem sentido quando lembramos, mas, ainda mais — quando agimos — considerando que cada vida importa. Este é e deve ser o nosso compromisso reiterado como humanidade.



