Por Daniel Randon, presidente da Randoncorp e presidente do Conselho Superior do Transforma RS
É incontestável a comparação entre produtividade no Brasil e nos EUA: em média, o trabalhador brasileiro trabalha ligeiramente mais horas, mas gera muito menos valor por hora de trabalho, o que mostra que o problema não está na jornada, mas na baixa eficiência sistêmica da economia brasileira.
Defender o fim da escala 6x1 sem enfrentar esses fatores estruturais tende a produzir efeitos adversos, como perda de competitividade, retração de investimentos e maior risco de desemprego, especialmente no mercado formal
Uma ineficiência agravada pela sabida combinação de carga tributária elevada, encargos trabalhistas excessivos e um ambiente regulatório complexo. Defender o fim da escala 6x1 sem enfrentar esses fatores estruturais tende a produzir efeitos adversos, como perda de competitividade, retração de investimentos e maior risco de desemprego, especialmente no mercado formal.
O debate poderia — e deveria — ser mais ambicioso. O país precisa discutir a modernização da CLT, alinhada às transformações tecnológicas, às novas formas de trabalho e à realidade produtiva brasileira. Isso inclui reduzir encargos, ampliar a flexibilidade contratual e estimular ganhos reais de produtividade. Isolar a jornada como se fosse o problema central é um erro econômico recorrente.
A proposta de redução de dias de trabalho sem impacto na remuneração ignora essas condições. Também não contribui para o crescimento sustentável e ainda carrega forte apelo de curto prazo, priorizando popularidade em detrimento de uma análise responsável sobre produtividade, competitividade e geração de empregos.
Aspectos básicos da economia real estão sendo desconsiderados. Avanços tecnológicos não se traduzem automaticamente em redução compulsória de jornada, sobretudo em um país que ainda enfrenta sérias deficiências educacionais, logísticas e de eficiência produtiva.
Impor modelos únicos, por via constitucional, sem considerar produtividade, custos e margens, é uma decisão de alto risco, que tende a penalizar justamente os trabalhadores de menor qualificação e os setores mais intensivos em mão de obra.
Se aprovada, a proposta terá efeitos diretos sobre salários, empregos e crescimento econômico. Pessoas bem preparadas produzem mais, contribuem para a geração de mais empregos, mais impostos e mais bem-estar social.
Essa é a equação que funciona. O resto é retórica.


