Por Fabio Bernardi, sócio-diretor da HOC
Henry Ford disse que pensar é o trabalho mais árduo que existe, e talvez seja por isso que tão poucos se dispõem a fazê-lo. Imagine o que ele diria se vivesse nos dias de hoje, quando parece que a inteligência artificial vai substituir a humana.
Os insights, os momentos em que ligamos os pontos e chegamos a algo novo, na maioria das vezes, só acontecem depois de intensa interação social, observação ou reflexão
Mas o problema não é apenas estarmos delegando decisões demais para a tecnologia (o caminho, a playlist, as respostas). Pior do que isso, e de uma forma mais sutil, é que os mesmos algoritmos que nos definem também nos reduzem. Quanto mais fácil é apreender algo, mais pobre é o processo. Só que para pensar uma solução para um problema, as coisas já têm que estar dentro de você. Os insights, os momentos em que ligamos os pontos e chegamos a algo novo, na maioria das vezes, só acontecem depois de intensa interação social, observação ou reflexão — após investigação, aprendizagem e envolvimento com o mundo. A criatividade é apenas a conexão de pontos diferentes e nunca agrupados anteriormente. Pessoas criativas são, antes de mais nada, observadores hábeis em conectar informações de várias fontes de maneiras novas e surpreendentes. Empreendedores, pensadores e artistas usam suas próprias experiências e aspirações como um ponto de partida para criar o novo. Portanto, quanto mais referências e vivências, mais chance de aumentar o número de insights e gerar inovação. Quem entende essa habilidade é mais capaz de mudar sua perspectiva em qualquer situação, ambiente ou comunidade. É um profissional mais ágil, rápido e múltiplo.
Segundo o americano Bruce Nussbaum, uma das maiores autoridades mundiais em inovação, design e inteligência criativa, nós construímos um quadro para um determinado cenário aplicando significado e compreensão para o que vemos. Esta é uma ferramenta poderosa para a inovação porque, ao compreender como enquadramos algo, também podemos colocar essa narrativa em uma nova moldura — mudando, assim, a forma como vemos e interpretamos aquilo. Em resumo, é simples: quando seu mundo fica menor, sua criatividade fica menor. E você também diminui.



