Por Fernando Lejderman, presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS)
A ausência de limites éticos no Poder Judiciário gera diversas reações psicológicas, sociais, institucionais e políticas. Como o Poder Judiciário é o responsável por garantir a aplicação da lei e a proteção dos direitos fundamentais da sociedade, a percepção de desvios éticos provoca impactos profundos em todos os setores da sociedade e atinge a confiança coletiva nas instituições democráticas.
A frase atribuída pelo jornal digital Poder 360 à ministra Cármen Lúcia — “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo” — expressa a realidade atual da falta de credibilidade da população brasileira em uma instituição que deveria ser uma das mais respeitadas pela sociedade. O debate público assiste com perplexidade a ministros da mais alta Corte do país diretamente envolvidos em escândalos de corrupção, como no caso do Banco Master, e a reuniões sigilosas do STF sendo vazadas para a imprensa. Com um histórico de decisões monocráticas discutíveis juridicamente, além de parciais politicamente, o STF chegou ao ponto de assumir publicamente a necessidade de elaborar um manual de normas éticas — algo que deveria ser um princípio básico de uma Suprema Corte. É a total ausência de limites!
A ausência de limites tem como consequência gravíssima o aumento dos níveis de corrupção e a certeza da impunidade
É universal o conhecimento da necessidade de limites na educação das crianças, pois regras claras, coerentes e transparentes, assim como o afeto, são fatores de proteção essenciais para o desenvolvimento infantil adequado e a sanidade mental. A ausência de limites precisos durante os primeiros anos de vida gera insegurança psicológica, dificuldade de internalização de regras e normas sociais e comportamentos desafiadores que, em determinadas circunstâncias, ocasionam o comportamento antissocial.
A ausência de limites tem como consequência gravíssima o aumento dos níveis de corrupção e a certeza da impunidade. E essa combinação levou o Brasil, em 2025, a ocupar a 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados no Índice de Percepção de Corrupção (IPC) elaborado pela Transparência Internacional. Além de ser o 7º país mais violento do mundo, de acordo com a organização não governamental Armed Conflict Event Location and Data Project (Acled).
É urgente recuperar a credibilidade, estabelecer normas éticas e limites claros de atuação no STF.




