Por José Antunes Sobrinho, acionista da Ecovix
Retomadas sólidas não começam com celebrações: começam no silêncio, na resiliência cotidiana e no planejamento consistente. Se hoje assinamos mais um contrato no estaleiro de Rio Grande, isso é resultado de muito trabalho, aliado a um olhar responsável e competente do Estado brasileiro para um setor produtivo que precisa ser constante para o pleno desenvolvimento da nação.
Há sete anos, quando o Estaleiro Rio Grande retomou serviços navais, poderia se falar em um movimento de retomada. Foi um período de reconstrução vivido passo a passo, com maturidade e planejamento estratégico. Essa travessia foi que nos trouxe até aqui – não mais falando de recuperação, mas de futuro.
Os projetos firmados foram conquistados em ambiente de concorrência internacional
A celebração de novos contratos não é fruto do acaso. Não houve concessão, mas sim trabalho, planejamento, capacidade técnica e competitividade. Os projetos firmados foram conquistados em ambiente de concorrência internacional, no qual competimos com grandes players de diferentes regiões do mundo. O Estaleiro Rio Grande venceu – mas não só nós: o próprio Estado e o Brasil sagraram-se vitoriosos.
Há uma frase de Winston Churchill que sintetiza bem esse espírito: "Se você quer construir um navio, não reúna pessoas para coletar madeira ou distribuir tarefas, mas ensine-as a desejar a imensidão do mar". É assim que, mais do que contratos, consolida-se uma visão de país. Setores estratégicos não podem estar submetidos à imprevisibilidade das trocas de governo. Precisam de políticas nacionais permanentes, capazes de gerar previsibilidade, formar profissionais qualificados e sustentar cadeias produtivas ao longo do tempo.
Os impactos desse novo ciclo são concretos. A expectativa é que, ao longo de 2027, seja atingida a marca de 4 mil empregos, reativando uma cadeia produtiva com novas perspectivas. Trata-se de uma retomada gradual, sólida e consciente. Avançar, nesse contexto, é assumir um compromisso com o Brasil. Um compromisso social, humano e industrial. Com os trabalhadores, com o Rio Grande do Sul e com o país.



