Por Helena Brochado, psicóloga, especialista em desenvolvimento de lideranças e autora do livro "Diário da Liderança Com Propósito"
Falar de bem-estar psicológico nas organizações é reconhecer que pessoas promissoras estão adoecendo. Enquanto a saúde física é discutida e valorizada, a saúde da mente, que sustenta o desempenho, as relações e a tomada de decisões, enfrenta estigmas e silêncios. Criar espaços onde seja possível admitir fragilidades sem medo de represálias é um passo essencial para uma gestão humanizada.
O debate sobre saúde mental precisa ocupar o centro das decisões estratégicas das empresas. Somente em 2024, mais de 470 mil brasileiros se afastaram de suas atividades por transtornos emocionais, segundo o Ministério da Previdência Social. A Organização Mundial da Saúde estima que ansiedade, depressão e estresse crônico sejam responsáveis pela perda de cerca de 12 bilhões de dias úteis por ano, com impacto econômico superior a US$ 1 trilhão. Os números são claros e mostram que saúde mental é questão de negócios.
Resultados sustentáveis são construídos por pessoas saudáveis
Nesse contexto, o Janeiro Branco propõe uma reflexão que vai além de ações simbólicas, convidando empresas a assumirem compromissos consistentes e permanentes, capazes de promover um ambiente corporativo mais equilibrado, saudável e sustentável.
Os efeitos da negligência com a saúde mental nem sempre aparecem de forma imediata, mas se acumulam no aumento do absenteísmo, na queda da produtividade e na rotatividade elevada de profissionais. O cuidado com o bem-estar psicológico não pode ser delegado a um único setor. Trata-se de responsabilidade compartilhada entre empresas, áreas de Recursos Humanos e lideranças.
Resultados sustentáveis são construídos por pessoas saudáveis. Quando a saúde mental ocupa lugar central na estratégia, gestores se tornam mais conscientes, o ambiente oferece segurança psicológica e as equipes atuam com mais confiança. Investir na formação de líderes capazes de identificar sinais de sofrimento emocional, promover empatia e praticar uma comunicação respeitosa não é custo. É visão de futuro. Antes de sermos gestores, somos pessoas cuidando de pessoas.
