Por Marcelo Lemos Dornelles, desembargador do TJRS
A contratação de influenciadores digitais para produção de conteúdo direcionado a ataques deliberados e orquestrados ao Banco Central do Brasil (BCB) em decorrência da sua atuação na liquidação do Banco Master é de extrema gravidade. São as milícias digitais. Isso já foi utilizado noutras ocasiões. Do nada, há uma inversão de papéis e as instituições são questionadas e os criminosos passam a ser vistos como vítimas. A narrativa de quem não tem escrúpulos nem limites sempre irá mais longe.
Atacar com fake news instituições e autoridades públicas buscando abalar a sua credibilidade em decorrência de sua legítima atuação funcional é um ataque direto ao Estado democrático de direito. A estabilidade das instituições para exercerem suas missões está atrelada a sua credibilidade, sua confiança e sua transparência. Elas atuam sempre em consonância com prévias disposições legais e regulamentares e agem no interesse público e social. Suas atuações resultam no desagrado dos poderosos que sofrem reveses em seus interesses econômicos ou políticos. Por isso, seus membros necessitam de garantias para sua correta e fiel atuação, sem que se curvem às ilegítimas pressões dos atingidos pelas suas funções. São exemplos: o Judiciário, o Ministério Público, os Tribunais de Contas, as polícias, os auditores em geral e o BCB.
A narrativa de quem não tem escrúpulos nem limites sempre irá mais longe
As redes sociais têm um potencial gigantesco de inserção de informações, pelo uso de algoritmos, atingindo milhares de pessoas em segundos. Quando usadas para desinformação e ataques, podem caracterizar crime e devem ser enfrentadas.
Registro significativa preocupação com o pleito eleitoral deste ano. Com o uso da inteligência artificial para a produção de vídeos e áudios falsos, há necessidade de mobilização forte da sociedade civil, imprensa, partidos políticos e candidatos sérios em apoio às autoridades, questionando, criticando, denunciando e não compartilhando fake news. A doentia polarização tem dificultado a reflexão das pessoas. Sem isso, as estratégias de uso indevido das redes sociais vão exercer papel decisivo nas escolhas dos futuros representantes do povo.




