Por Eduardo Senise, diretor de Educação Continuada da Unisinos
O impacto da inteligência artificial (IA) no mundo contemporâneo ainda não foi plenamente compreendido. No entanto, o mundo do trabalho já sente seus efeitos. Ao assumir tarefas analíticas com velocidade sem precedentes, a automação passa a competir com novas atividades. Diante desse cenário, resta aos profissionais focar em habilidades humanas e competências complexas.
Manter-se conectado aos temas atuais e atento ao que nos diferencia da IA é uma necessidade; assim, a pós-graduação passa a ter um papel estratégico na trajetória dos profissionais.
Pesquisamos junto a nossos alunos e identificamos três motivações para essa fase: aumento salarial, transição de carreira ou empreendedorismo. Eles esperam retorno sobre o investimento (ROI), traduzido em trabalhabilidade.
O mercado remunera a especialização, caso ela venha acompanhada de resultados
Dados da Pnad Contínua (IBGE) mostram que quem tem pós-graduação pode ganhar entre 150% e 255% mais do que aqueles que possuem apenas graduação. Já o relatório Education at a Glance (OCDE) costuma apontar o Brasil como um dos países em que a pós-graduação gera o maior prêmio salarial. O mercado remunera a especialização, caso ela venha acompanhada de resultados. Daí a importância de escolher corretamente o curso e a instituição de ensino. Mas, em um cenário com tantas ofertas disponíveis, isso não é fácil. Dados da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) mostram o crescimento dos modelos híbridos, o conteúdo técnico virou commodity; já a curadoria, a rede de contatos e o valor da marca permanecem decisivos.
Foi para responder a essa demanda que desenhamos novos cursos com o melhor dos três mundos: autonomia do digital, aulas ao vivo e encontros presenciais. A proposta é superar o modelo conteudista e priorizar a aprendizagem experiencial.
Ao incorporar soft skills, orientação de carreira e decisão baseada em dados nos cursos, atuamos em parceria com os alunos. Num mundo em que o conhecimento técnico fica rapidamente obsoleto, aprender continuamente, aliando humanismo e tecnologia, é a única vantagem competitiva sustentável.



