Por Tiago Dinon Carpenedo, presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
O puxadinho é uma instituição nacional. É usar a criatividade para construir com pouco. O puxadinho, a meu ver, revela essencialmente a atitude empreendedora do brasileiro: não ao abrir um CNPJ, mas ao fazer mais com menos.
No entanto, nem só virtudes residem nesse fenômeno nacional. Assim como o "jeitinho" – ou, talvez, até como uma derivação deste –, o puxadinho escancara dois lados da mesma moeda.
A parede é construída sem padrão. Os insumos são comprados de um compadre, com origem duvidosa. Alvará é termo ausente no vocabulário. Durante a obra, surgem ideias que invertem o plano original. Orçamento estourou, a obra parou.
Em outras palavras, o puxadinho também simboliza a dose escassa de planejamento, profissionalismo e racionalização que permeia o comportamento da maioria dos brasileiros na vida privada. É a concretização material da gambiarra.
Também simboliza a dose escassa de planejamento, profissionalismo e racionalização
Seria maluquice esperar que o comportamento do brasileiro na vida pública destoasse completamente. Mas é mediocridade justificar a má política pública por traços da nossa personalidade. O Estado deveria ser o exemplo.
O Estado brasileiro gera sofrimento ao seu povo ao adotar como norteadores o curto-prazismo, as promessas populistas, o descompromisso com as contas e a burocratização de tudo. A reforma do Imposto de Renda é o capítulo da vez. O objetivo de reajustar a tabela do IR é dos melhores; a forma, das piores.
A reforma acumula todas as características de um puxadinho institucional. Para abrir espaço no orçamento, busca-se o atalho: em vez de cortar gastos, reabre-se um tópico pacificado há quase 30 anos, a taxação de dividendos.
Nosso grande desafio é aceitar nosso jeito como povo, mas ser crítico sobre as potencialidades e fragilidades. Essa é a proposta do Fórum da Liberdade 2026, que lançou seu tema na última semana: "O Brasil tem jeito". Nos dias 9 e 10 de abril, será a oportunidade para refletirmos sobre o jeitinho, o puxadinho e outras causas que explicam por que ainda temos esperança de que o Brasil tenha jeito.


