Por Gabriela Ferreira, consultora em inovação e professora da PUCRS
Consciência é a palavra-chave para que possamos sobreviver. Essa frase é de Robert Happé que, mesmo escrevendo sobre consciência como transformação humana, considera que existe uma associação entre duas crises pelas quais passa a humanidade: a espiritual e a ecológica. Para ele, de certa forma, a destruição do planeta Terra estaria associada à falta de consciência de que somos parte da natureza.
E ele não está sozinho. Para o líder indígena, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras Ailton Krenak, do nosso divórcio das interações e integrações com a natureza nascem os nossos problemas. Para ele, a visão utilitarista que olha a Terra como um conjunto de "recursos" é sinal dessa desconexão, resultando em poluição, degradação do solo e mudanças climáticas. E, consequentemente, dos problemas que a humanidade já enfrenta para sua sobrevivência no planeta.
Precisamos evoluir do domínio da natureza para a harmonia com ela
O conceito de ecologia profunda, formulado por Arne Naess em 1972, também já falava sobre isso, apontando que, enquanto o ser humano se perceber como separado da natureza, continuará explorando-a. Assim, a expansão da consciência – ecológica, neste caso, mas fundamental à nossa sobrevivência – exige uma maturidade que nos permita ir além do ego individual. É necessário expandir nossa identidade e perceber-nos como parte de algo maior, pois somos natureza.
Precisamos evoluir do domínio da natureza para a harmonia com ela; de entender o ambiente natural como recurso para reconhecê-lo como portador de valor intrínseco; de ter o crescimento econômico e material como fim para buscá-lo como meio de autorrealização; da ideia de recursos ilimitados para o reconhecimento dos limites do planeta; da confiança exclusiva na alta tecnologia para o uso apropriado da mesma; do consumismo para o consumo responsável; da intolerância para o respeito à diversidade.
E, se não conseguirmos superar a crença na superioridade da nossa espécie, que pelo menos usemos nosso diferencial de racionalidade e consciência de forma realmente inteligente.

