Por Elias Neto, CEO da ESG Now
A contagem regressiva para 2026 acendeu um alerta silencioso no ambiente corporativo brasileiro. A partir desse marco, todas as companhias de capital aberto serão obrigadas a reportar seus inventários de emissões e apresentar relatórios de sustentabilidade alinhados a padrões internacionais. A exigência, embora relevante, é apenas a ponta de um movimento mais profundo que é a transição para um novo ciclo empresarial em que sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a ser competência estratégica. E as empresas estão prontas para serem de fato sustentáveis?
A sustentabilidade corporativa deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar fator de sobrevivência. Entretanto, muitas organizações ainda se encontram em estágios iniciais dessa jornada. Há empresas que investem pontualmente em ações ambientais, sociais ou de governança, mas sem conexão real com o negócio, ou iniciativas que ficam em departamentos isolados, distantes do centro das decisões. Outras reconhecem a importância do tema, mas esbarram na falta de dados, processos e ferramentas capazes de transformar boas intenções em indicadores concretos.
Deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar fator de sobrevivência
O grande desafio está em compreender que sustentabilidade não se limita ao atendimento de normas, relatórios ou conformidades. Ela exige mudança de mentalidade, revisão de práticas e capacidade operacional para colocar essa visão em prática. À medida que as exigências globais evoluem, a capacidade de coletar e interpretar dados, medir impactos, comunicar resultados e acompanhar metas em tempo real se torna central para quem deseja operar com credibilidade.
As empresas que enxergarem a agenda ESG como uma oportunidade e, não apenas uma obrigação, estarão mais bem posicionadas para inovar, reduzir riscos, conquistar confiança e ampliar sua competitividade. O avanço regulatório de 2026 apenas ilumina o caminho, mas é a postura das empresas que determinará quem avançará com consistência.


