Por Walter Lidio Nunes, vice-presidente do Transforma RS
O Brasil vive uma crise que expõe causas históricas e estruturais, num momento em que a pressão por reformas cresce, mas só avançarão se houver uma mobilização democrática, convergente e resiliente da sociedade. O desafio é ter uma agenda de Estado capaz de atravessar governos e superar o modelo anacrônico, patrimonialista e corporativista, ainda sustentado por um populismo assistencialista que custa muito e entrega pouco.
A polarização política transformou o debate público na busca de culpados, desviando o foco das reformas essenciais, como a administrativa e a política. A responsabilidade deste quadro é de todos nós — pela omissão, pela defesa de interesses particulares ou por uma cidadania que se imobiliza diante das mudanças necessárias. Precisamos encarar os problemas atuais como oportunidades evolutivas. A eleição de 2026 é a chance de reverter esse quadro histórico, mobilizando a sociedade em torno de reformas ancoradas em paradigmas modernos e comprometidas com um novo futuro com eleitos alinhados a essa missão.
Ao dialogarmos com os candidatos, não basta perguntar o que farão se eleitos, mas discutir a agenda que precisa ser feita para que o país avance. Devemos escolher os representantes com base no caráter público, nos valores e na capacidade de realizar transformações dentro de um ambiente democrático.
Devemos formular e discutir uma agenda convergente para o Brasil que queremos
O governo eleito em 2026 deve atuar como um síndico do nosso condomínio social: gestor do bem comum, com prioridades claras voltadas ao avanço das reformas estruturantes. Em paralelo, precisamos abandonar a passividade e exercer uma cidadania participativa — que propõe, acompanha, cobra e controla — sem delegar nosso destino a quem prioriza interesses próprios.
Construir o Brasil que queremos exige uma cidadania ativa e qualificada, capaz de eleger e apoiar lideranças verdadeiramente comprometidas com uma agenda de reformas transformadoras.
O processo de 2026 precisa entrar no radar desde já. Deixar para a última hora desqualifica nossa capacidade de mobilizar e conscientizar a sociedade. É agora que devemos formular e discutir uma agenda convergente para o Brasil que queremos, qualificando o diálogo com os candidatos e orientando a escolha de lideranças comprometidas com as reformas necessárias.
