Por Pedro Fornari, engenheiro, cofundador e CEO da Kartado
Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), chocou o Brasil e o mundo. A tragédia deixou 19 mortos, destruiu comunidades inteiras e provocou um dos maiores desastres ambientais da história do país. Dez anos depois, a data nos obriga a refletir sobre o que mudou na prevenção e na segurança de barragens no país.
O episódio expôs a ausência de uma cultura de prevenção, a dificuldade de integração entre órgãos fiscalizadores e empresas, e a falta de informação acessível para comunidades que vivem próximas a grandes empreendimentos. Desde então, houve avanços importantes, como a atualização da Lei 14.066, que aprimorou a Política Nacional de Segurança de Barragens e estabeleceu novos padrões de responsabilidade, prevendo estudos de ruptura, rotas de fuga, simulados e planos de emergência.
Esses instrumentos aumentam o grau de responsabilidade dos empreendedores e ampliam a transparência e a capacidade de resposta. Ainda assim, a experiência dos últimos anos mostra que cumprir a lei não basta. Segurança não é um checklist burocrático, esses processos devem ser práticas vivas e cotidianas. É aí que a tecnologia se torna uma aliada fundamental.
Ferramentas digitais já permitem coletar dados de campo em locais sem conectividade e integrar registros georreferenciados, fotos e informações em tempo real para acompanhar ações de monitoramento e manutenção das estruturas, bem como de interação com a sociedade. Mapas interativos e dashboards dinâmicos dão aos gestores uma visão completa do território: localização de hospitais, defesas civis, abrigos e rotas de fuga. Os simulados podem ser documentados e analisados para melhoria contínua. A comunicação ganha rastreabilidade, transparência e eficiência.
Isso torna inevitável e urgente o fortalecimento de uma cultura de prevenção que una conhecimento técnico, sensibilidade social e inovação
Para os gestores, essa visão clara do cenário facilita a elaboração de planos de contingência e emergência eficazes, avaliação das prioridades e a tomada de decisão, em vez de reações isoladas. Isso permite a construção de um ecossistema de prevenção inteligente e colaborativo.
O Brasil é um país vulnerável a eventos climáticos que estão cada vez mais intensos. Isso torna inevitável e urgente o fortalecimento de uma cultura de prevenção que una conhecimento técnico, sensibilidade social e inovação.
Dez anos após Mariana, temos a oportunidade de usar a tecnologia e a inovação não como promessa, mas como instrumento concreto para proteger vidas, o meio ambiente e a confiança coletiva.



