Por Adão Villaverde, engenheiro, professor de Gestão do Conhecimento e Inovação da Escola Politécnica da PUCRS e consultor de SemiCon do Tecnopuc
Estes tempos de céleres, recorrentes e profundas mudanças e transformações, catalisadas pela crise climática, pela necessidade da transição energética, pela inteligência artificial, pelo armazenamento nas nuvens e por alargamentos de conexões, nos obrigam a gerenciar o seguinte paradoxo: a sociedade avança científica e tecnicamente, mas corporações globais capturam boa parte deste ambiente digital. E mais, como asseguramos que podemos utilizar essas tecnologias, ou mesmo desenvolvermos alternativas a elas, sem renunciar a nossa soberania?
A intensificação atual dos processos digitais, como outrora ocorrera nas revoluções industriais, significa que o uso de inovativos instrumentos pode solucionar problemas novos e já existentes. Num patamar superior, seja de eficiência ou de dinâmica, mas também de qualidade, pode significar agregação de valor às organizações e à cidadania, facilitando a comunidades e setores produtivos interagir e se relacionarem melhor, sobretudo com os novos paradigmas da sociedade do conhecimento.
Seu domínio, conhecimento e expertise necessitam de investimentos
Do modo de vida, passando pelo trabalho, atravessando saúde e educação, chegando às gestões públicas, no ambiente corporativo e nas relações em sociedade, todos podemos nos beneficiar das melhorias que esse processo pode nos auferir. Entretanto, para que isso ocorra, são necessárias competências e estruturas físicas que corporações do mundo já têm, inclusive com capacidade de monopolização. Daí é que decorre a importância de iniciativas, como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e o Marco Civil da Internet.
Mas não podemos ficar na contemplação, ou meramente na crítica, de algo já irreversível. Seu domínio, conhecimento e expertise necessitam de investimentos, que têm de ser feitos agora; aliás, carecemos deles há tempos.
Sem eles e políticas estratégicas, não conseguiremos fazer transformação digital soberana. Esta é elemento balizador, também técnica e comercialmente, que várias cadeias produtivas demandam, para realizar seus negócios e enfrentar a complexidade da geopolítica global, e que tempos atuais requerem como imprescindível.




