Por Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento
Com a COP30 em andamento, é impossível falar de futuro sem falar de clima e saúde. As mudanças climáticas não afetam apenas o meio ambiente: impactam a economia, o desenho das cidades e, de forma profunda, a saúde física e emocional das pessoas.
O que o Rio Grande do Sul viveu em 2024 ensinou muito. O trauma das enchentes ainda ecoa, e muitos gaúchos sentem angústia com novas previsões de chuva. As ondas de calor também se intensificam: segundo a The Lancet, as mortes relacionadas às altas temperaturas cresceram 23% desde 1990. Na prática, ignorar o meio ambiente é uma forma sofisticada de autodestruição. O desrespeito à natureza é um ataque a nós mesmos, às cidades que se afogam, às gerações que herdarão um futuro mais hostil.
E um hospital que cuida de vidas não pode ser indiferente ao clima que as abriga. No Moinhos de Vento, entendemos que enfrentar essa realidade é dever de todos — instituições, empresas e sociedade. Hoje, 100% da energia que utilizamos vem de fontes renováveis. Operamos uma usina fotovoltaica nas áreas administrativas e temos a meta de zerar as emissões de carbono até 2027. Fomos o primeiro hospital do país com central de reciclagem própria, processando mais de 30 toneladas por mês. E para cada bebê nascido no Moinhos, plantamos uma árvore — já são 11 mil, rumo a 20 mil nos próximos dois anos.
O verdadeiro ativismo é pedagógico, empático e prático: ele escuta e dialoga para convencer
Essas iniciativas refletem o nosso jeito de cuidar: metas claras, parceria e responsabilidade compartilhada. Avançamos junto ao poder público, universidades, empresas e sociedade civil, porque soluções climáticas exigem coalizões duradouras. É uma agenda apartidária e contínua.
O desafio não é apenas salvar o planeta — é salvar a convivência. A transição verde não se faz com o exílio dos céticos, mas com a inclusão dos que ainda não despertaram. O verdadeiro ativismo é pedagógico, empático e prático: ele escuta e dialoga para convencer. E quando as instituições abraçam essa agenda, elas traduzem a urgência climática em consciência pública, bem-estar humano e inovação sustentável.




