Por Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor dos livros “Desaprenda” e “Desinvente”
Se você gosta de viajar, ou presta atenção nas novas propagandas do Airbnb, deve ter notado que elas não estão vendendo hospedagem. Estão vendendo a magia da experiência. Além de alugar uma casa ou apartamento, a plataforma oferece aulas de surfe com surfistas locais, jantares com chefs regionais, passeios por bairros com moradores que conhecem cada esquina. É o “viver como um local”, elevado à potência do storytelling.
E, claro, a campanha aproveita para dar uns jabs nos hotéis: por que se isolar num quarto, se você pode viver algo autêntico, compartilhado e cheio de significado? O Airbnb está resgatando um espírito mais aberto, de mais pertencimento – um reposicionamento importante para uma marca que, há alguns anos, parecia ter trocado senso de comunidade por luxo vazio.
É o 'viver como um local', elevado à potência do storytelling
Mas este mundo de desaprender e desinventar é tão incrível que o modelo dos hotéis não está nem perto de estar morto: a Marriott, por exemplo, entendeu que não precisava mais ser dona de prédios para ser dona da hospitalidade. Torna-se, assim como o próprio Airbnb, uma empresa asset light: foca em leveza, expande com inteligência e lucra com o valor da confiança – não do tijolo.
Novos modelos, por outro lado, também surgem amparados na experiência: a Graduate Hotels, por exemplo, criou conceito em torno de cidades universitárias, com design que mistura nostalgia, juventude e espírito de campus: recebe toda a órbita de público em volta do estudante universitário, enquanto vende memória afetiva tanto quanto entrega estadia. E teve as suas marcas – mas não seus imóveis – compradas pela rede Hilton.
A experiência é poderosa. É justamente ela que diferencia uma loja que vende de uma que sofre vendo seus clientes irem para a Amazon. É o que faz um restaurante virar ponto de encontro, e não só um lugar para almoçar.
A experiência é o novo patrimônio. O que diferencia quem potencializa o mundo dos negócios – e quem ainda insiste em apenas ocupá-lo.




