Por Marcelo Gobitta, expert de Sustentabilidade Corporativa da Yara Brasil
A COP30, em Belém, está em andamento. A diversidade de pautas da cúpula do clima, da redução das emissões à transição para energias renováveis, passando pela biodiversidade, entre outros pleitos, se aglutina, contudo, em torno de como e quem financiará essas mudanças.
Não é um custo barato: US$ 1,3 trilhão. O próprio presidente da COP30, o embaixador André Correia do Lago, reconhece que alcançar essa meta para o financiamento climático dos países em desenvolvimento está distante, ainda que ele mesmo venha mantendo esforços para obter apoio internacional. Estamos diante de um recurso financeiro essencial para colocar em prática ações voltadas, por exemplo, à transição regenerativa.
O setor se mobilizou e está mostrando que é parte da solução
Mais do que boas intenções, as mudanças climáticas demandam alinhamento de objetivos. É preciso um consenso entre seus atores para que, de fato, as ações ganhem tração. Um exemplo prático vem do agronegócio. Vilanizado por estar entre os maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE), o setor se mobilizou e está mostrando que é parte da solução.
Com inovação e tecnologia, o agronegócio produz de forma mais sustentável. Isso acontece porque o segmento entendeu que, para garantir a demanda global por alimento, era preciso se adaptar de modo a reduzir suas emissões. Ou seja, a conscientização de que o trabalho integrado em torno de um objetivo comum — a produção sustentável — é exatamente o que une o agronegócio.
Essa reflexão da importância de um discurso único também deve estar presente ao nos referirmos ao financiamento climático, afinal a conta não deve recair somente para o campo. Como chegar ao financiamento? Quem vai custear? Quem financiará a restauração, a proteção florestal e a transformação sustentável em larga escala?
Questões como essas e tantas outras certamente estarão nos encontros e debates durante a COP30. As respostas, porém, requerem um entendimento comum entre negociadores. Que a convergência do agronegócio em torno do compromisso de reduzir as emissões possa inspirar os representantes globais para chegar a um acordo que também traga um real impacto.



