Por Bernardo Krebs, empresário e CEO da Gama
Você sabe o que Michelangelo, Isaac Newton e Leonardo da Vinci têm em comum? Além da genialidade, todos eles foram grandes polímatas. Essa palavra, pouco comum na nossa rotina, se refere a profissionais que transitam com profundidade por diferentes áreas do conhecimento, conectando saberes e aplicando soluções criativas com versatilidade.
Entre tantas características, mais do que acumular informações, esses indivíduos demonstram curiosidade constante, capacidade de adaptação e domínio técnico em múltiplas disciplinas, tornando-se figuras estratégicas na construção de soluções mais inovadoras e resilientes.
Nossa força de trabalho opera praticamente na metade da sua capacidade
Olhando para o nosso mercado hoje, cada vez mais tecnológico, ágil e com discussões sobre o melhor uso de inteligência artificial, a avaliação deste contexto precisa ser muito ampla. O Brasil atingiu apenas 24% do patamar de produtividade dos EUA e está abaixo da média global, onde as pequenas e médias empresas apresentam 54% da produtividade das grandes. Ou seja, nossa força de trabalho opera praticamente na metade da sua capacidade. Além disso, o Brasil tinha, em 2022, 55 idosos para cada 100 crianças (0 a14 anos). As projeções indicam que, até 2070, esse número pode ultrapassar 150 idosos por 100 crianças, mais que triplicando em relação ao patamar atual. Quando pensamos na indústria, estudos apontam que precisaremos qualificar 14 milhões de trabalhadores industriais até 2027. Este cenário não é sobre demografia. É sobre economia, educação e relações humanas.
Os líderes de hoje devem dominar um paradoxo sem precedentes: manter sua autenticidade cultural enquanto orquestram equipes através das fronteiras digitais. O questionamento sobre enfoque em soft ou hard skills deve dar espaço para a certeza do uso de ambas, tornando as novas lideranças em arquitetos de redes de conhecimento distribuídas.
À medida que a IA remodela as operações e as relações de trabalho, devemos definir quais recursos humanos exclusivos definirão a liderança da próxima geração. E este tema deve ser amplamente discutido, com profundidade e pluralidade, pelas novas mentes pensantes. Em outubro, em São Paulo, discutirei este tema com lideranças internacionais da Alemanha, Emirados Árabes, Austrália, Arábia Saudita e China no painel "Architecting the Polymathic Global Leader", do evento internacional Horasis Global Meeting.



