Por Felipe Homem, diretor da Escola Técnica Fundatec
Nos últimos dez anos, as matrículas no ensino técnico cresceram 26,5% no Rio Grande do Sul, segundo o Censo Escolar. Esse avanço tem relação com uma série de fatores: ampliação das vagas, formatos mais flexíveis, mensalidades acessíveis e, sobretudo, maior conexão com o mercado de trabalho.
O ensino técnico prepara profissionais com competências específicas e alinhadas às necessidades locais. Pesquisa da CNI aponta que 90% dos empresários veem a formação técnica como facilitadora da inserção no mercado, e 75% a consideram mais eficiente que o ensino superior para suprir o setor produtivo. Dados do Ipea reforçam: quem tem formação técnica recebe, em média, até 25% mais do que outros com o mesmo grau de escolaridade, ou seja, ensino médio completo.
Outro ponto fundamental é o papel da orientação profissional nas escolas
Mesmo em expansão, o técnico ainda ocupa uma fatia pequena na educação básica. Há desafios importantes, como a desinformação, falta de estímulos, pouco financiamento, desvalorização da formação técnica e evasão no Ensino Médio. As diferentes modalidades ajudam a ampliar o acesso, contemplando desde estudantes em idade escolar até trabalhadores em requalificação.
Outro ponto fundamental é o papel da orientação profissional nas escolas. Muitos jovens chegam ao fim do Ensino Médio sem conhecer as possibilidades do ensino técnico ou sem entender como essa formação pode abrir portas. Ampliar o diálogo entre escolas, instituições técnicas e empresas pode ajudar a reduzir esse desconhecimento e orientar escolhas mais conscientes.
No Estado, a legislação garante cotas, mas inclusão, de fato, exige acolhimento, suporte pedagógico e infraestrutura, além de investir na formação dos professores, com atualizações constantes em tecnologias e práticas conectadas ao setor produtivo.
Consolidar o ensino técnico como eixo estratégico do desenvolvimento requer mais. Valorizar a formação técnica, ampliar a parceria com o setor produtivo e garantir qualificação contínua são caminhos possíveis. O RS já dá sinais de avanço. O desafio agora é torná-lo consistente e inclusivo.
