Por Diógenes Guimarães Zãn, neurologista, coordenador da linha de cuidado do AVC do HMGV
Apenas dois anos após a implantação do Projeto de Reestruturação da Linha de Cuidado do Acidente Vascular Cerebral (AVC), o Hospital Municipal Getúlio Vargas (HMGV), em Sapucaia do Sul, comemora números muito relevantes na preservação da vida. De acordo com os mais recentes dados do Datasus, o projeto conseguiu reduzir em mais de duas vezes a mortalidade por AVC no hospital, atingindo 6,1%. O índice é o melhor entre todos os centros de AVC 100% SUS do Estado e, inclusive, supera cidades referência para este atendimento no país.
O índice é o melhor entre todos os centros de AVC 100% SUS do Estado e, inclusive, supera cidades referência para este atendimento no país
Antes do projeto, o HMGV registrava 14,2 mortes por cem pacientes com AVC. O atual resultado foi obtido após a organização do atendimento na fase aguda, tanto no hospital como na rede referenciada, e a reestruturação de toda a unidade de atendimento à doença aos moldes preconizados por portarias ministeriais. Outro item relevante foi a organização do processo de desospitalização segura do paciente e do vínculo pós-alta, com manutenção de medidas de reabilitação e prevenção secundária do AVC.
Para aprimorar essas conquistas, o hospital realiza todas as semanas o Round do AVC, quando vários profissionais da equipe multidisciplinar se reúnem para discutir caso a caso a situação das pessoas internadas com a doença. O encontro possibilita uma visão integral do paciente, gerando eficiência e assertividade do tratamento, além de viabilizar a alta hospitalar segura das vítimas de AVC assistidas pela instituição.
Atendendo em média 500 pacientes com AVC por ano, o HMGV já recebeu dois reconhecimentos internacionais pelos resultados alcançados. Centro Essencial do AVC pela World Stroke Organization (2022) e Angels Award (2023), certificações fornecidas para instituições que têm atendimento de excelência à doença. Esse fato, aliado à redução para 6,1% na taxa de mortalidade, serve como motivação, pois comprova que é possível fazer a coisa certa no SUS.
A Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, que administra o hospital, vai continuar investindo na causa, seja com tecnologia ou recursos humanos, ciente da missão de oferecer o mais eficiente tratamento aos usuários do SUS. Ainda pretende ampliar a comunicação com a rede pública municipal, desenvolvendo um projeto pioneiro de educação em saúde nas escolas de Sapucaia do Sul.



