Por André Baldraia, geógrafo e educador físico, professor do Departamento Interdisciplinar da UFRGS
O Litoral Norte é um dos destinos mais procurados do Rio Grande do Sul durante o verão. Nesse período, ocorrem diversas ações que dão visibilidade à região, com destaque às práticas desportivas e às atividades econômicas sazonais. São iniciativas relevantes, mas é necessário pensar na qualidade de vida dos locais para além do veraneio. Reflexão importante, especialmente nesse momento em que ocorre a expansão das atividades e, aparentemente, os impactos negativos ainda podem ser mitigados.
Neste século, vem ocorrendo incremento populacional e de atividades econômicas, em particular aquelas vinculadas à construção civil e ao setor de serviços, mas também às atividades agrícolas. Em conjunto, verifica-se redução da vegetação local, o que impacta as temperaturas e os mananciais. O acréscimo de área urbanizada sem a ampliação compatível das estruturas de saneamento básico resulta em poluição das águas e aumento dos riscos à saúde; também impõe desafios à mobilidade cotidiana, demandando soluções que podem ser mais ecoeficientes se discutidas e arbitradas em conjunto pelos municípios. A título de exemplo, seria relevante projetar estruturas viárias providas “por baixo” de redes pluviais e “por cima” de capacidade de carga compatíveis com o transporte coletivo. Em uma única iniciativa, melhoram-se os níveis de emissão de gases poluentes na atmosfera e economizam-se recursos envolvidos na construção viária.
É necessário estruturar e coordenar as ações e os processos realizados nos municípios que compõem a bacia do Rio Tramandaí
É necessário estruturar e coordenar as ações e os processos realizados nos municípios que compõem a bacia do Rio Tramandaí, pois o que ocorre a montante impacta a jusante. É relevante aprimorar os arranjos institucionais de gestão e ampliar o escopo para envolver pautas intermunicipais. Estabelecer e perseguir metas. Ações como essas, inicialmente, estimulariam emprego e renda mais perenes, contribuiriam para o equilíbrio econômico e ambiental da região e para a melhoria da qualidade de vida local.
De outro prisma, se o poder público, em suas diversas esferas, não atuar conjuntamente, o risco de ampliação dos problemas regionais está contratado.


