Em seu editorial, ZH criticou as obras paradas da Copa afirmando estarmos diante "do descaso e da falta de planejamento". Para me contrapor, vou resgatar algumas informações históricas importantes. Em 2009, conquistamos o direito de sediarmos a Copa do Mundo. O governo federal possibilitou que as 14 cidades-sede buscassem investimentos. Aproveitamos e, ao invés de simplesmente atender à Fifa, que exigia obras no entorno do Beira-Rio, nos credenciamos para a busca de recursos de 14 grandes obras viárias que há muitos anos estavam planejadas e que não saíam do papel. Ou seja, aproveitamos a oportunidade e conseguimos ser a cidade que mais recursos para obras conquistou.
Várias dificuldades surgiram ao longo do caminho.
Desta forma, viabilizamos a duplicação da Avenida Beira-Rio, o entorno do Estádio Beira-Rio, os viadutos Abdias do Nascimento, o X da Rodoviária, o São Jorge (Bento Gonçalves com Aparício Borges), a revitalização dos corredores de ônibus. Conseguimos avançar nas trincheiras da Anita Garibaldi, da Ceará e da Cristóvão. Na Avenida Tronco, remanejamos mais de 1,5 mil famílias dando condições de vida digna a elas e realizamos profundas obras de saneamento básico. Infelizmente, várias dificuldades surgiram ao longo do caminho: não envio de recursos por parte do governo federal, a falta de areia, desapropriações, ações judiciais (até hoje uma ação impede a obra da trincheira da Plínio), manifestações de grupos antagônicos, falência de empresas construtoras, entre outras. Mas o golpe fatal para a não conclusão das obras foi a grande crise econômica que começou em 2012, retirando recursos do município, que optou em dar o atendimento básico a saúde, educação, assistência social, coleta do lixo, entre outros serviços essenciais.
Em momento algum houve descaso ou falta de planejamento. Infelizmente, ainda vivemos num país onde a economia sofre altos e baixos, trazendo profundos prejuízos a qualquer investimento de médio e longo prazos, como foi o caso das obras de mobilidade urbana citadas.


