Por José Galló, empresário e membro do Conselho Editorial da RBS
Estamos vivendo uma situação inédita no Brasil em termos de corrosão da ética, da confiança e da transparência. Os malfeitos a que presenciamos na crise do Banco Master não têm precedentes e já superam os escândalos do passado. Mensalão e Lava-Jato foram vergonhosos, mas os seus tentáculos não eram tão amplos e não chegam próximo do caso atual. Agora, estão expostas, pela primeira vez, possíveis contaminações nos três poderes – além de Executivo e Legislativo, o Judiciário. A lama se tornou colossal.
O desafio está na divulgação e tradução desses rastros e malfeitos
A impressão é de que Daniel Vorcaro corrompeu o Brasil, aliciando, por diversos meios, membros dos três poderes e utilizando empresas e instituições para movimentar quantias exorbitantes. A sem-vergonhice, a corrupção, a quebra de confiança, a ousadia, a irresponsabilidade, todos esses monstros que eram relativamente limitados se mostram, agora, em toda a sua exuberância. A distribuição de emendas parlamentares é um exemplo do que nos tornamos como país: em 2025 foram pagos mais de R$ 30 bilhões, o maior volume da história. O pagamento pode ser feito por Pix e o seu destino e objetivo não precisam ser mostrados à população!
Afinal de contas, a população está a se perguntar, que país nós somos?
Isso está amedrontando a nação.
A imprensa está desempenhando o seu papel à altura do que se espera do jornalismo profissional. Malu Gaspar, de O Globo, e outros jornalistas, colunistas dos jornais do Brasil e outros veículos ajudam a desvendar o que ainda está dentro do lodo. Os monstros estão saindo do pântano, mas a imprensa continua a fazer o seu papel e mostrando a cada dia novos envolvimentos. O desafio está na divulgação e tradução desses rastros e malfeitos, no esclarecimento da população para a extensão desse escândalo e na visibilidade que precisa ser dada às investigações, até que todos os elos sejam conhecidos e os culpados, efetivamente punidos.
É urgente essa necessidade para o fortalecimento das instituições e a recuperação da sua confiança.
Os valores e as virtudes do ser humano, como a responsabilidade, o respeito às leis, a confiança, o “fazer a coisa certa”, estão sendo agredidos. Não podemos deixar os monstros os destruírem.
