Por Patrícia Fraga, CEO da RBS e membro do Conselho Editorial
A tecnologia avança com velocidade impressionante e transforma diariamente a forma como vivemos e nos relacionamos. Até bem pouco tempo atrás, as discussões em torno do que viria pela frente, quando tratamos de inteligência artificial, por exemplo, eram cercadas por medo e inseguranças. Ainda temos poucas respostas e baixa previsibilidade do que está por vir, mas agora já vemos e vivenciamos na prática o uso dessas tecnologias. Já conseguimos aprender de forma colaborativa, desenvolver novas capacidades enquanto profissionais para fazer uso dessas novas possibilidades e já entendemos o mais importante: quanto mais a tecnologia avança, mais valor tem o humano.
Ganhamos em escala, agilidade para criar, pesquisar, sistematizar, formatar, mas amparados em curadoria, criatividade, visão e premissas humanas.
Como tudo isso muda a forma como pensamos e produzimos o conteúdo?
Partindo dessa perspectiva, neste mês tivemos avanços importantes em um trabalho contínuo para incentivar e testar a adoção de práticas de IA em diferentes áreas da RBS em busca de maior eficiência em práticas e processos. Temos de nos antecipar a um futuro que já é presente: fazemos jornalismo, esporte e entretenimento expandindo nossos conteúdos para diferentes plataformas, integrando mídias tradicionais a um ecossistema digital. Rádio que se vê ao vivo no streaming, produtos nativos digitais, novos formatos de conteúdo e, em muito breve, uma revolução na forma como vemos TV.
Na edição deste ano do South Summit Brazil, tive a oportunidade de debater com Eliseu Barreira Jr., head de Estratégia e Inteligência de Negócios da Globo, o que está por vir com a DTV+, a chamada TV 3.0: a convergência do alcance massivo da TV aberta com as possibilidades de segmentação, interatividade e imersão da internet. Uma TV conectada em que o consumidor está verdadeiramente no centro. Ao assistir a uma partida de futebol, por exemplo, poderá decidir que narração prefere ouvir, comprar com um clique um artigo de seu time, comentar o jogo com outros torcedores, participar de ações interativas e muito mais.
Tudo isso a partir de tecnologias integradas e da sistematização e análise de dados que vão permitir falar com todos e com cada um.
E aí vem a pergunta: como tudo isso muda a forma como pensamos e produzimos o conteúdo? Porque as tecnologias vêm, abrem caminhos, mas quem dá a direção, quem faz as escolhas criativas, quem explora as possibilidades são as pessoas – criadores, produtores, editores. Vamos avançar não apenas a partir das tecnologias, mas a partir do que vamos criar com elas, de como vamos comunicar, informar, entreter tendo essas ferramentas à disposição.
A IA pode fornecer respostas para que tenhamos mais elementos para analisar, aprofundar e gerar conteúdos relevantes. Mas há perguntas que só serão feitas por humanos. E seguirá cabendo ao jornalismo, com contexto, análise e aprofundamento, respondê-las.



