Por Patrícia Fraga, CEO da RBS e membro do Conselho Editorial
Os avanços da tecnologia nos fizeram mais exigentes. Queremos tudo o mais rápido possível. Mais simples, mais intuitivo. Queremos retorno instantâneo, com respostas para as perguntas que ainda nem fizemos.
Mas, acima de tudo, em tempos de guerras de narrativa e de ferramentas capazes de criar imagens falsas e simular cenas com falas que nunca foram ditas, devemos ser exigentes com a informação em que confiamos — e que compartilhamos. Exigentes em como usamos a tecnologia a nosso favor.
Tudo o que praticamos e o que ainda faremos a partir da IA tem uma condição inegociável: a curadoria humana
Sabemos que as possibilidades que se abrem a partir da inteligência artificial são inúmeras e que estamos só no começo. Nas redações do Grupo RBS, já contabilizamos algumas iniciativas: ganhar escala em conteúdos diários, como matérias sobre a previsão do tempo com foco em cada região do Estado; acelerar a sistematização de dados; transcrever e traduzir conteúdos. Sem contar o que já estamos fazendo nas áreas de gestão e negócios.
Tudo o que praticamos e o que ainda faremos a partir da IA tem uma condição inegociável: a curadoria humana. No que diz respeito ao jornalismo, é fundamental o olhar atento de profissionais guiados pelo compromisso com a verdade, a verificação dos fatos, a ética e a isenção. É isso que garante a credibilidade, pré-requisito do exercício jornalístico que reafirma sua relevância agora que não podemos mais crer em tudo o que vemos e ouvimos.
Mas esta atenção é uma responsabilidade não apenas de quem leva a informação. Quem a consome precisa ser igualmente cuidadoso. Para além do risco de golpes amparados em vídeos, áudios, perfis ou comunicados falsos, todos nós devemos buscar separar o fato do “fake” em mensagens e posts que surgem em nossa timeline. Qual a fonte da informação? É confiável? Você verificou aquilo que tem intenção de compartilhar?
Este será um ano eleitoral, com embates de ideias e perspectivas. Contribua para qualificar o debate buscando fontes confiáveis. Nosso jornalismo, assim como o de todos os veículos de comunicação cientes de sua função social em uma democracia, estará ao lado do eleitor, com informações, análise e serviço. Informações em que você pode confiar. Com pluralidade de visões e apuração rigorosa — atributos que transcendem os avanços da tecnologia.
Sigamos evoluindo com o tempo, buscando mais agilidade, mais simultaneidade, mais personalização. Mas fiéis aos valores que permanecem a despeito das tecnologias que vieram e que virão: o compromisso com a busca pela verdade.



