A presidente Delcy Rodríguez afirmou nesta quarta-feira (2) que "haverá" eleições quando "a Venezuela estiver preparada", em um momento em que seu governo interino e um setor da oposição participam de negociações patrocinadas por Washington, com vistas a uma transição democrática.
Esse diálogo, que começou em agosto e terá uma nova rodada dentro de dez dias, ocorre sete meses após a captura do presidente Nicolás Maduro pelo Exército dos Estados Unidos, depois de mais de um quarto de século de poder chavista.
"Não tenha dúvida disso, haverá um processo eleitoral, mas nas condições em que a Venezuela estiver preparada", respondeu a presidente a um jornalista em uma coletiva de imprensa, ao lado do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright.
Ela acrescentou que "na Venezuela há uma Constituição e um sistema eleitoral e democrático previsto" que estabelece o calendário eleitoral.
"Eu não estabeleço a data" das eleições, acrescentou Rodríguez, que, desde que assumiu o poder, governa sob forte pressão de Washington.
Está previsto que a mesa de diálogo entre o governo e parte da oposição aborde a renovação do Conselho Nacional Eleitoral, um passo fundamental para convocar eleições, segundo antecipou a chefe da delegação oposicionista, Dinorah Figuera.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em diferentes ocasiões que está satisfeito com a gestão de Rodríguez.
"Delcy, como vocês sabem, está fazendo um trabalho muito, muito bom", reiterou Trump nesta quarta-feira, mas disse que a Venezuela ainda não está pronta para realizar eleições.
"Simplesmente não acho que estejam prontos ainda. Sabe, é algo muito novo. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o governo", afirmou.
A Constituição venezuelana prevê que, na ausência do presidente, o vice-presidente assuma o comando por um período máximo de 180 dias, período que já terminou.
Por isso, diferentes setores da sociedade venezuelana reivindicam a convocação de eleições.
Rodríguez alega que, desde que assumiu o poder, tem trabalhado "incansavelmente para que a Venezuela esteja pronta e preparada para quando chegar o momento de realizar seu processo eleitoral".
Enquanto isso, muitos aguardam o retorno da líder oposicionista e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, que está exilada no Panamá e afirmou que retornará ao seu país.
Embora as autoridades americanas neguem, numerosos observadores consideram que existe um veto dos Estados Unidos ao retorno de Machado.
* AFP


