
Os Estados Unidos têm armas posicionadas no espaço, informou nesta segunda-feira (14) a Força Espacial do país, na primeira vez que Washington confirma oficialmente a presença desse tipo de capacidade em órbita.
"Os Estados Unidos dispõem de armas de controle espacial em órbita capazes de defender a Força Conjunta contra ações hostis de adversários", declarou um porta-voz em um comunicado, sem fornecer detalhes sobre esses sistemas.
Segundo a nota, essas armas permitem "disputar e controlar" o espaço e "afetar as capacidades do adversário". "Essas capacidades podem ser empregadas tanto para fins ofensivos quanto defensivos", acrescenta.
Tanto a Rússia quanto a China, os dois principais rivais geopolíticos dos Estados Unidos, são vistas por Washington como possíveis ameaças aos interesses americanos no espaço.
Apelo da China
Após o anúncio dos Estados Unidos, o Ministério das Relações Exteriores da China advertiu contra a "militarização do espaço sideral, transformando-o em um campo de batalha, assim como contra uma corrida armamentista nesta área".
— Instamos o lado americano a parar de ampliar as suas capacidades militares e de se preparar para a guerra no espaço sideral — declarou o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva.
Pedido da Rússia
A Rússia pediu nesta terça-feira (15) que o espaço permaneça livre de armamentos.
— Acreditamos que o espaço deve estar livre de qualquer arma — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. — Contamos com um amplo consenso internacional para continuar trabalhando em prol da completa desmilitarização do espaço.
Tratado do Espaço Sideral
A militarização do espaço é tão antiga quanto a própria corrida espacial. Assim que o satélite soviético Sputnik foi colocado em órbita, em 1957, Washington e Moscou começaram a explorar formas tanto de armar quanto de destruir estes aparelhos.
A maior preocupação naquela época eram as armas nucleares no espaço, mas as superpotências e outros países assinaram o Tratado do Espaço Sideral em 1967, que proíbe armas de destruição em massa em órbita.
Desde então, Rússia, Estados Unidos, China e Índia têm desenvolvido formas de conduzir operações militares no espaço sem violar o tratado, incluindo capacidades para atacar os satélites de países rivais, fundamentais para comunicações militares, vigilância e sistemas de navegação.




