
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu nesta quarta-feira (12) a países latino-americanos de uma coalizão de combate ao narcotráfico que deixem o Tribunal Penal Internacional (TPI), afirmando que a Corte representa um "perigo" para a soberania dos países.
Hegseth declarou no Panamá que os Estados Unidos não reconhecem a jurisdição desse tribunal permanente sediado em Haia. Segundo ele, o TPI é uma "ameaça" e, por isso, encoraja "enfaticamente" os países da aliança a "abandonarem" o organismo.
A Coalizão das Américas contra os Cartéis, também chamada de Escudo das Américas e criada pelo presidente Donald Trump, reúne 19 países, entre eles Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru. O chefe do Pentágono fez o apelo no contexto da ofensiva de Trump contra o tráfico de drogas, que inclui, há quase um ano, bombardeios contra supostas embarcações do tráfico no Caribe e no Pacífico.
Segundo levantamento da AFP, essas operações deixaram cerca de 215 mortos em 53 ataques. Juristas internacionais e organizações de defesa dos direitos humanos classificam essas mortes como execuções extrajudiciais, crime cuja investigação está entre as atribuições do TPI.
— A esquerda internacional, junto com seus cúmplices na imprensa de esquerda, está conspirando para tentar impor ilegalmente a jurisdição do Tribunal Penal Internacional sobre o pessoal e as operações militares dos Estados Unidos e de nossos parceiros — acrescentou Hegseth.
O governo Trump impôs sanções, incluindo proibição de entrada nos Estados Unidos e congelamento de ativos no país, a vários juízes e procuradores do TPI, principalmente por causa das investigações da Corte sobre Israel.
Hegseth afirmou que os bombardeios em alto-mar provocaram uma "queda recorde" no trânsito dessas embarcações.
— Não existe nenhuma base legítima para a tentativa ilegal de expansão de poder do TPI — declarou o secretário. — É notável que esse suposto tribunal e outros organismos globalistas prejudiquem nossos esforços, mas não façam nada para responsabilizar verdadeiros terroristas e verdadeiros tiranos.



