
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) que acordos comerciais com os países do Golfo substituirão a taxa de 20% que ele havia proposto para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Apesar da decisão, o bloqueio naval previsto anteriormente ao estreito seguirá de pé
"Com base em conversas altamente produtivas com lideranças do Oriente Médio, decidi substituir a Taxa de Reembolso aos Estados Unidos de 20% por acordos comerciais e de investimento que os vários países do Golfo realizarão com os Estados Unidos", afirmou em uma publicação na rede Truth Social.
Embora o presidente americano tenha recuado do pedágio, o bloqueio está mantido a todos os portos e áreas costeiras do Irã. A medida no estreito veio após a intensificação do conflito nos últimos dias, com bombardeios de ambos os lados.
O Irã considera os Estados Unidos responsáveis pelo "retorno da insegurança" à região, e a Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, os acusa de colocar em risco o abastecimento mundial de petróleo. A commodity disparou nesta terça-feira, chegando a US$ 86 o barril.
Cessar-fogo ameaçado
A guerra foi desencadeada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelense-americana contra o Irã. Após o cessar-fogo alcançado em abril, os Estados Unidos e o Irã assinaram, em 17 de junho, um protocolo de acordo que previa 60 dias de trégua para negociar o fim do conflito.
Trump declarou na semana passada que o cessar-fogo "terminou" devido aos ataques iranianos contra navios em Ormuz. As hostilidades recentes também fizeram o protocolo de acordo ruir.
— Não há dúvida de que esse acordo está em crise. Mas o Irã nunca foi o primeiro a descumprir seus compromissos — declarou na segunda-feira (13) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em coletiva de imprensa em Teerã.
As conversas diplomáticas com os mediadores Catar, Paquistão e Omã continuam com o objetivo de "evitar uma escalada" com os Estados Unidos, acrescentou.
— Que o protocolo de acordo esteja morto ou vivo é irrelevante, dadas as suas várias interpretações. Ambas as partes precisam chegar a termos mais claros — afirma Bader Al Saif, especialista da Universidade do Kuwait.
O documento previa a reabertura do estreito, embora Teerã só permitisse um único corredor de navegação ao longo de sua costa e ameaçasse os navios que se desviavam dessa rota.
— Essa passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas e a República Islâmica do Irã irá protegê-la — declarou Mohsen Rezaee, assessor militar do líder supremo iraniano, citado pela agência de notícias Isna.
