
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom das ameaças contra o Irã nesta quarta-feira (8). Ele indicou possível ampliação da ofensiva iniciada após incidentes no Estreito de Ormuz.
— Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite — afirmou Trump a repórteres.
Trump afirmou que as forças americanas destruíram 28 barcos do Irã na noite anterior e acrescentou que os EUA "devem afundar mais embarcações". Segundo ele, Teerã "não poderá fazer nada contra" uma nova ação militar americana.
As declarações foram dadas antes de reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia.
Trump também advertiu que Washington poderá atingir alvos de alto escalão do regime iraniano, caso considere necessário. O presidente citou ainda a possibilidade de atacar novamente a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã.
— Atacamos a ilha de Kharg ontem, e eu falei: "Não encostem no petróleo", porque talvez tomemos a ilha e não há nada que eles possam fazer sobre isso — declarou Trump, segundo o g1.
O presidente americano também afirmou que, embora preferisse evitar ataques à infraestrutura civil, poderá ordenar bombardeios contra usinas de dessalinização, além de instalações de energia e abastecimento de água. Ao mesmo tempo, ressaltou que os EUA não estão atacando "os níveis mais altos", como pontes.
Os dois países estão oficialmente em meio a cessar-fogo na guerra após assinarem, em junho, um acordo de paz preliminar.
Na terça-feira (7), os Estados Unidos lançaram ofensiva contra o Irã após ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã atacou 85 bases norte-americanas espalhadas entre o Bahrein e o Kuwait. Um drone norte-americano também teria sido abatido na ofensiva.
Resposta do Irã
Em resposta às declarações de Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, rejeitou os ataques lançados pelo presidente dos Estados Unidos, ressaltando que a "linguagem depreciativa" não diminui a "grandeza" do Irã.
"Dirigir-se à nação iraniana, civilizada e corajosa, com uma linguagem depreciativa não diminui sua grandeza", afirmou em uma mensagem no X (veja abaixo).
Nesta quarta-feira, Trump descreveu os líderes iranianos como pessoas "perversas e violentas":
— Eles são escória, são pessoas doentes, são liderados por pessoas doentes e são pessoas perversas e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam.
Ainda em publicação nas redes sociais, Araqchi afirmou que os iranianos "são conhecidos por seu civismo, sua cultura e seus sólidos valores morais".
"Não respondemos à vulgaridade com vulgaridade, mas com ações: sem medo e com grande coragem", ressaltou.
Retomada do conflito
Donald Trump voltou a demonstrar ceticismo sobre uma solução diplomática para o conflito, afirmando que, mesmo se um acordo for alcançado, "provavelmente não durará". Ele disse ainda que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, pode conversar com autoridades iranianas, mas que não vê "isso acontecer"
Já o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que as forças americanas atacarão "mais profundamente" o território iraniano nesta noite, "se necessário".
A retomada do conflito acontece enquanto ainda ocorrem as cerimônias do funeral do aiatolá Ali Khamenei, morto em fevereiro, no primeiro dia de bombardeios ao Irã.





