Duas semanas após a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, o Irã intensificou, nesta terça-feira (21), seus ataques no Oriente Médio em uma "guerra total", segundo Teerã, que ameaça se estender ao Mar Vermelho.
Enquanto a república islâmica controla o estratégico Estreito de Ormuz, seus aliados no Iêmen, os rebeldes huthis, afirmaram que querem bloquear a navegação com destino e saída dos portos sauditas no Mar Vermelho.
Durante a guerra em Gaza, esse grupo, que controla amplas áreas do Iêmen, já perturbou gravemente o tráfego marítimo mundial com lançamentos de drones e mísseis contra navios que passavam pela região.
Na segunda-feira, anunciaram um "bloqueio marítimo contra o inimigo saudita criminoso", aliado dos Estados Unidos.
A operação ameaça aumentar a pressão sobre a economia de um dos principais produtores mundiais de petróleo, que depende de seus portos no Mar Vermelho para contornar o bloqueio iraniano de Ormuz.
Especialistas também alertam para uma possível perturbação da navegação no Estreito de Bab el-Mandeb, na costa sul do Iêmen, que dá acesso ao Mar Vermelho e é rota de passagem para o Canal de Suez e o Mediterrâneo.
Após o anúncio, os preços do petróleo atingiram na segunda-feira seu nível mais alto em um mês, embora tenham caído levemente nesta terça-feira. No entanto, o barril de Brent continua acima de 90 dólares (457 reais).
- "Pressão psicológica" -
Na outra extremidade da Península Arábica, as tensões em torno do controle de Ormuz levaram à retomada, em 7 de julho, das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos.
Os bombardeios atingiram níveis sem precedentes desde o primeiro cessar-fogo acordado em abril e reforçado em meados de junho por um protocolo que deveria levar ao fim da guerra.
Como já havia feito no início dos bombardeios israelenses-americanos, em 28 de fevereiro, o Irã respondeu com ataques a aliados de Washington no Golfo e no Oriente Médio, como Síria, Jordânia e Iraque.
Nas últimas 24 horas, Jordânia, Bahrein e Kuwait denunciaram ataques com drones e mísseis iranianos.
"O inimigo deverá se preparar para ondas de drones e ataques de mísseis ainda mais decisivos e poderosos", afirmou nesta terça-feira a Guarda Revolucionária. O exército ideológico do Irã assegurou que suas forças haviam destruído sistemas de defesa antiaérea e instalações de radares no Bahrein e no Kuwait.
Neste segundo país, as autoridades pediram que a população reduza o uso de ar-condicionado após denunciarem ataques a instalações de dessalinização e usinas elétricas por Teerã.
Naser al-Dhafiri, um funcionário kuwaitiano de cerca de 40 anos, afirma que os ataques e o medo de apagões nesse país muito quente geram "uma imensa pressão psicológica" sobre a população.
"O que o Kuwait vive hoje é algo que não experimentamos nem mesmo durante a invasão do Iraque (em 1991), em termos de pressão psicológica e de não saber para onde as coisas estão caminhando", afirma.
- Guerra total -
Do outro lado, o Irã, "imerso" em uma guerra total segundo seu presidente, Masoud Pezeshkian, foi alvo de bombardeios dos Estados Unidos pela décima noite consecutiva.
A agência local Mehr afirmou que os ataques miravam Shiraz, a cerca de 200 km do Golfo, e a província de Fars, no centro do país.
Por enquanto, os ataques americanos deixaram pelo menos 50 mortos e mais de 500 feridos desde a retomada dos combates, segundo o último balanço oficial divulgado na sexta-feira.
Do lado americano, três militares morreram na Jordânia e no Iraque nos últimos dias. "Cada vez que o Irã matar um soldado americano, pagará por esse assassinato muitas vezes mais!", ameaçou na segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Por ora, não se vislumbra nenhum avanço diplomático concreto, apesar da visita ao Paquistão, mediador do conflito, do ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeini.
* AFP


