
Quase um mês depois dos terremotos que atingiram a Venezuela, socorristas resgataram um gato em meio aos escombros de um edifício. O pequeno felino de pelagem preta foi encontrado na chamada zona zero de La Guaira, onde seis prédios entre 12 e 17 andares de habitações sociais desabaram por completo.
O animal foi atendido por veterinários no local e depois levado para um abrigo improvisado instalado em um McDonald's, que nas primeiras semanas da tragédia funcionou como centro ambulatorial.
— Temos atendido 50 por dia, entre cães, gatos, tartarugas, também trouxeram um bode — enumerou Yanier Veliz, 20 anos, estudante de veterinária e voluntário.
O hospital provisório também recebe animais que seus tutores levam para consultas.
Em 24 de junho, a Venezuela sofreu o impacto de dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, com apenas 39 segundos de diferença entre eles, que deixaram mais de 5,3 mil mortos.
Abrigos temporários
Cachorros, gatos, tartarugas e até um bode: centenas de animais de estimação resgatados dos escombros permanecem em abrigos temporários.
Em meio ao luto pela perda de familiares, sobreviventes iniciam a busca por seus animais nos diferentes abrigos informais instalados em La Guaira, às margens do Mar do Caribe, o mais afetado.
— Nos deram ela de presente quando nasceu e foi criada no apartamento onde vivíamos. Quando aconteceu o terremoto, saímos correndo e ela ficou. Desde esse dia não consigo encontrá-la — conta Raquel Ramos, 42 anos, que procura sua gata Mía.
Quando ocorreu o tremor, Ramos estava com o filho pequeno no bairro de Tanaguarena, onde muitos prédios foram reduzidos a escombros. Raquel diz que se sente culpada por ter deixado Mía no dia dos tremores.
— Vou a outros abrigos para ver se consigo achá-la — diz, em lágrimas, enquanto mostra no celular uma foto da gata branca e alaranjada.
Reencontros
Em um abrigo da Missão Nevado, programa estatal de atendimento a animais domésticos, os cães brincam em um amplo terreno, enquanto os gatos ficam em gaiolas com comida.
Um felino dorme placidamente em uma pequena rede dentro de uma das gaiolas em seu lar de acolhida, para onde já chegaram 326 animais de estimação resgatados e cerca de 50 adotados.
Astrid Ugas, 17 anos, chegou com a intenção de adotar um gato para fazer companhia ao que tem em casa, que ficou sozinho depois que seu parceiro desapareceu com os tremores.
— Quero ajudar todos os que precisam — afirma Ugas, que acabou levando quatro gatinhos.



