
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu ter falado de forma "raivosa" com primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por telefone. A informação foi confirmada pelo próprio Trump em entrevista ao podcast de política Pod Force One nesta quarta-feira (3).
— Fiquei um pouco perturbado com as constantes brigas dele com o Líbano, sabe? — explicou Trump.
Na sequência, ele afirmou que "se dá muito bem" com o primeiro-ministro israelense. Na terça-feira (2), os meios de comunicação americanos Axios e ABC News informaram que Trump teria disparado uma série de insultos contra Netanyahu por temer que as ameaças de bombardear Beirute afetassem as conversações com Teerã.
— Você está completamente louco. Estaria na prisão se não fosse por mim. Estou salvando a sua pele. Todos te odeiam agora. Todos odeiam Israel por causa disso — teria gritado Trump por telefone a Netanyahu na segunda-feira (1º), segundo informou o Axios.
No entanto, veículos de comunicação israelenses negaram essa versão. Trump quer encerrar uma guerra que afetou duramente a economia dos Estados Unidos a menos de seis meses das eleições de meio de mandato, nas quais será decidido se o seu Partido Republicano manterá o controle do Congresso.
Antigos aliados de Trump, como o apresentador Tucker Carlson e a ex-congressista Marjorie Taylor Greene, acusam o presidente de permitir que Israel arrastasse os Estados Unidos para mais uma guerra no Oriente Médio. Segundo eles, isso vai contra os princípios do movimento MAGA (Make America Great Again, Faça a América Grande de Novo em tradução livre), baseados na política de "América em Primeiro Lugar".
Até mesmo o Partido Republicano, tradicionalmente pró-Israel, encontra-se cada vez mais dividido. Cerca de 57% dos republicanos entre 18 e 49 anos têm uma opinião desfavorável sobre Israel, ante 50% no ano passado, segundo uma pesquisa do Pew Research Center divulgada em abril. O impacto da guerra contra o Irã nos preços ameaça as chances de vitória dos republicanos nas eleições de novembro.
Para Netanyahu — que mantém frentes de guerra abertas no Líbano, no Irã e em Gaza, além de enfrentar uma série de acusações de corrupção —, é provável que haja ainda mais em jogo.
— Trump tenta encontrar uma saída e claramente possui grande poder de pressão sobre Netanyahu — disse à AFP Mairav Zonszein, do International Crisis Group.
Mas, enquanto Trump tenta encerrar a guerra, Netanyahu quer prosseguir com ela.
— Essa é a principal divergência entre eles — concluiu.


