No dia em que os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o principal nome da diplomacia americana falou sobre a relação entre os dois países. Para o secretário de Estado, Marco Rubio, o Brasil não faz parte da lista de aliados dos EUA.
A declaração foi feita durante uma audiência no Congresso americano nesta terça-feira (2). Rubio afirmou que os EUA mantêm uma "coalizão de países amigos" na América, excluindo o Brasil.
— É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos — disse.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia criticado Rubio, dizendo que o americano é "anti-América Latina" e "não gosta do Brasil".
O senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, disse ter enviado uma carta a Rubio pedindo o fim das tarifas.

Quem é Marco Rubio
Marco Antonio Rubio tem 55 anos e é natural de Miami, na Flórida. É filho de imigrantes cubanos, um garçom e uma caixa de supermercado.
Subiu rapidamente os degraus da política e, aos 34 anos, já era presidente da Câmara dos Representantes da Flórida — equivalente a uma assembleia legislativa.
Rubio foi senador de 2011 a 2025. Durante sua trajetória no Congresso americano, o político, que fala espanhol fluente, foi um forte crítico dos governos de Cuba, sob o castrismo; da Venezuela, com Hugo Chávez e Nicolás Maduro; e da Nicarágua, de Daniel Ortega.
Ele é muito conhecido entre os latinos, um eleitorado que mobilizou nas recentes eleições presidenciais.
Adversário de Trump...

Pré-candidato à presidência nas eleições de 2016, disputou as primárias do Partido Republicano com, entre outros adversários, Donald Trump.
Durante a campanha, entrou em atrito com Trump, com trocas constantes de insultos.
Rubio disse que Trump tinha "mãos pequenas" e o chamou de "golpista". O magnata também zombava dele, apelidando-o de "pequeno Marco".
... e depois aliado
Trump acabou eleito naquele ano, derrotando a democrata Hillary Clinton. Desde então, o católico Rubio, casado com uma mulher de origem colombiana e pai de quatro filhas, tem defendido Trump, se tornando um dos principais aliados do presidente.
Apesar de sua origem, defende a imposição de limites à imigração, contrariando uma orientação da própria mãe. Em uma entrevista de 2012 à revista Time, Rubio recordou como sua mãe lhe deixou uma mensagem de voz pedindo para ele não "mexer" com os imigrantes em situação irregular, pois eles são "pessoas como nós".
Nomeado secretário de Estado em 2025, no segundo governo Trump, Rubio se tornou o primeiro latino a ocupar o cargo, um grande feito para o político que sonha há anos com a Casa Branca — é cotado para concorrer em 2028.

No comando da diplomacia americana, é favorável a exercer máxima pressão sobre a China, grande potência rival dos Estados Unidos. Também é um fervoroso defensor de Israel, tem o Irã como alvo e é favorável ao fim da guerra na Ucrânia.
No início de 2026, liderou as ações dos EUA contra a Venezuela, que culminaram na captura de Nicolás Maduro.
Nos impasses envolvendo o Brasil, notadamente no tarifaço de 2025 e na declaração do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas, foi designado para comandar as negociações entre os dois países.


