
Três dias após um par de terremotos que atingiu o norte da Venezuela ter espalhado morte e destruição pelo país, a contabilidade de vítimas e o registro de danos à infraestrutura seguem em elevação.
Até o começo da tarde deste sábado (27), a cifra de mortes havia chegado a 1.430 pessoas — estima-se que esse patamar deverá subir ainda mais em razão da quantidade expressiva de desaparecidos (veja detalhes mais abaixo). Duas vítimas brasileiras estão confirmadas.
Em relação à infrestrutura, há relatos de interrupções no fornecimento de energia elétrica, em serviços de transporte, destruição de estradas e hospitais.
Cerca de 1,6 mil socorristas estrangeiros, incluindo brasileiros, chegaram ao país até o momento para auxiliar no trabalho de resgate graças à reabertura parcial do Aeroporto Internacional Simón Bolívar. São esperados novos reforços ao longo das próximas horas. Veja, a seguir, um resumo do que se sabe sobre o cenário na Venezuela no momento.
Os terremotos
Dois tremores, de 7,5 e 7,2 graus, atingiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira (24). A região mais atingida foi a de La Guaira, onde pelo menos uma centena de edifícios colapsou.

Mortos
No começo da tarde deste sábado, o presidente da Assembleia Nacional do país, Jorge Rodríguez, informou que a quantidade de vítimas havia chegado a 1.430 pessoas. Antes disso, trabalhava-se com uma cifra de pelo menos 920 mortos. Acredita-se que essa conta deve seguir aumentando em razão do elevado número de pessoas que ainda estão sob os escombros.
Feridos
Os dados mais recentes divulgados, até o final da manhã de sábado, indicavam ao menos 3.238 pessoas com ferimentos de diferentes níveis de gravidade. Esse número também deve ser atualizado nas próximas horas.
Desaparecidos
Ainda na sexta-feira (26), o chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, declarou que se estima haver pelo menos 50 mil pessoas desaparecidas no país. É possível que esse número seja reduzido à medida que os serviços de comunicação sejam restabelecidos e permitam contatos entre familiares isolados pela tragédia.
Danos à infraestrutura
Há registros de estragos extensos envolvendo edificações, estradas e estruturas essenciais como estabelecimentos de saúde — onde o atendimento está precário, faltam insumos e medicamentos.
Países como os EUA estão enviando estruturas para a montagem de hospitais provisórios. O envio de pessoas e materiais é possível porque uma das pistas do Aeroporto Internacional Simón Bolívar foi reaberta. Dados da sexta-feira (26) indicavam pelo menos 1,4 mil edificações danificadas, sendo 383 residenciais, 13 hospitais, 25 centros comerciais e “outras estruturas”.
A ONU estimou, neste sábado (27), em US$ 6,7 bilhões (R$ 34,6 bilhões) os danos físicos causados pelos dois terremotos na Venezuela, valor equivalente a 6% do PIB do país sul-americano.
A avaliação preliminar baseia-se em modelos sísmicos, imagens de satélite e dados populacionais. Ela inclui perdas de bens, como moradias, mas não abrange a perturbação econômica mais ampla causada pelo desastre de quarta-feira, informou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Água e energia
A presidente da Venezuela, afirmou que 60% do fornecimento de energia elétrica havia sido restabelecido, embora ainda haja problemas principalmente na região mais afetada pelos tremores, em La Guaira.
Também há relatos de falhas no abastecimento de água. O governo venezuelano tem procurado distribuir alimentos e água potável a sobreviventes nas áreas mais atingidas. A produção de petróleo — parte fundamental da economia do país — não está sendo afetada pelos danos.
Ajuda local e internacional
Chegaram até o começo da tarde de sábado 17 voos internacionais que transportaram cerca de 1,6 mil socorristas para auxiliar no trabalho de resgate a sobreviventes que ainda se encontrem sob os escombros.
O Brasil, por meio da Força Aérea Brasileira, enviou 12 toneladas de equipamentos para montar um Hospital de Campanha, com 60 fuzileiros navais e 40 profissionais de saúde da Marinha do Brasil.
Além disso, foram enviados cinco kits de calamidade com 111,8 mil medicamentos e insumos, suficientes para atender 1,5 mil pessoas por um mês, segundo o governo brasileiro. Esse conjunto de medicamentos inclui itens como antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, ataduras, gazes, dispositivos para infusão, seringas, luvas, esparadrapos e máscaras.
Pelo menos outros 25 voos eram esperados para as próximas horas a fim de reforçar o trabalho. Outros 14 mil policiais e militares da própria Venezuela estavam na região de La Guaira para patrulhamento e ações emergenciais.




