
A candidata de direita Keiko Fujimori foi eleita presidente do Peru por uma margem estreita sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, segundo dados finais da apuração divulgados nesta segunda-feira (29). A apuração das unas foi finalizada três semanas após o segundo turno das eleições do Peru.
Fujimori obteve 50,13% dos votos, enquanto Sánchez recebeu 49,86%, de acordo com o site do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Cenário político no Peru
Fujimori, que é administradora, apela ao legado do pai, que promoveu a estabilização da economia e derrotou a insurgência, mas também foi acusado de crimes contra a humanidade.
Sánchez, 57 anos, congressista e ex-ministro, reivindica o legado político do ex-presidente Pedro Castillo, destituído em 2022. Ele foi aliado de Castillo, usa o chapéu camponês que recebeu do ex-presidente, prometeu conceder um indulto a ele e o visitou na prisão no domingo.
Fujimori defende propostas neoliberais, o respeito à propriedade privada e a atração de investimentos americanos. Sánchez prometeu aumentos salariais e afirmou que pretende manter a abertura econômica e a independência do estratégico banco central, em um gesto direcionado aos investidores.
Apesar da desilusão política, a maior preocupação dos peruanos é a insegurança em um país onde abundam as quadrilhas criminosas e as denúncias de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos.
Para enfrentar a violência, Fujimori defende medidas mais rígidas, como militarizar as prisões e as zonas conflituosas, e expulsar migrantes para acabar com a "praga social" com a "mesma força" com que seu pai venceu a insurgência nos anos 1990.
Sánchez propõe enfrentar a corrupção na polícia e na Justiça e afirma que há uma cumplicidade entre elites políticas e a criminalidade.
A sua base social está na zona rural empobrecida, onde a insegurança é menor. A base de Fujimori fica em Lima, onde a taxa de homicídios triplicou em 2025 na comparação com 2020, chegando a 23 por 100 mil habitantes.
O vencedor das eleições governará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4%. Mas sete em cada 10 trabalhadores estão na informalidade.




