
O resultado do segundo turno da eleição presidencial no Peru segue incerto no sexto dia de apuração. Na última atualização, às 7h desta sexta-feira (12), mais de 98% das urnas já haviam sido contabilizadas e apontavam a candidata de direita Keiko Fujimori com 50,004% dos votos, contra 49,996% do esquerdista Roberto Sánchez — a diferença entre ambos é de aproximadamente 1.303 votos.
Os primeiros dados oficiais da apuração foram divulgados ainda no domingo (7) pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais. Segundo o órgão, Keiko Fujimori saiu na frente de Sánchez por cinco pontos percentuais. A diferença entre os dois foi diminuindo à medida que a apuração avançava. Na manhã de segunda-feira, (8), Keiko tinha menos de um ponto de vantagem sobre Sánchez.
Na apuração divulgada às 13h07min de segunda, no horário local, o candidato esquerdista havia ultrapassado Keiko. Até então, Sánchez se mantinha à frente.
A votação no Peru é feita com cédulas de papel e segundo a autoridade eleitoral, a divulgação do resultado final pode demorar até 30 dias. O país tem 27,33 milhões de eleitores aptos a votar.
Cenário político no Peru
Fujimori, uma administradora de 51 anos, apela ao legado ambivalente do pai, que estabilizou a economia, derrotou a insurgência, mas foi acusado de crimes contra a humanidade.
Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, reivindica o legado político do ex-presidente Pedro Castillo — que também acabou destituído —, de quem foi aliado de primeira hora. Como demonstração de lealdade, usa o chapéu camponês que ganhou dele, prometeu indultar o ex-presidente e o visitou na prisão no domingo.
Fujimori defende propostas neoliberais, o respeito à propriedade privada e a atração de investimentos americanos. Sánchez prometeu aumentos salariais e tentou tranquilizar os investidores, ao dizer que vai manter a abertura econômica e a independência do estratégico banco central.
Apesar da desilusão política, a maior preocupação dos peruanos é a insegurança em um país onde abundam as quadrilhas criminosas e as denúncias de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos. Para enfrentar a violência, Fujimori sugere a linha-dura: militarizar as prisões e as zonas conflituosas, e expulsar migrantes para acabar com a "praga social" com a "mesma força" com que seu pai venceu a insurgência nos anos 1990.
Sánchez propõe enfrentar a corrupção na polícia e na Justiça, diante do que denuncia ser uma cumplicidade das elites políticas com a criminalidade. A sua base social está na zona rural empobrecida, onde a insegurança é menor. A base de Fujimori fica em Lima, onde a taxa de homicídios triplicou em 2025 na comparação com 2020, chegando a 23 por 100 mil habitantes.
O vencedor das eleições governará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4%. Mas sete em cada 10 trabalhadores estão na informalidade.



