
A Rússia afirmou neste domingo (17) que a Ucrânia lançou quase 600 drones contra seu território em uma das ofensivas mais intensas desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. Segundo autoridades russas, os ataques deixaram quatro mortos.
O Ministério da Defesa russo informou que os sistemas antiaéreos do país derrubaram 556 drones entre a noite de sábado (16) e a madrugada deste domingo. Outros 30 foram interceptados depois, elevando o total a 586.
As interceptações, muito acima das poucas dezenas registradas habitualmente, ocorreram em 14 regiões russas, além da Crimeia, anexada por Moscou, e dos mares Negro e de Azov, segundo comunicado publicado pelo ministério na plataforma russa Max.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, defendeu a operação, poucos dias depois de um bombardeio russo deixar 24 mortos na capital ucraniana.
— Nossas respostas à prolongação da guerra por parte da Rússia e a seus ataques contra nossas cidades e comunidades são completamente justificadas — escreveu Zelensky nas redes sociais.
O presidente acrescentou que, desta vez, os ucranianos estão “dizendo claramente aos russos: seu Estado deve acabar com a guerra”.
Quatro mortes
Três pessoas morreram nas imediações da capital russa, e uma quarta vítima foi registrada em Belgorod, perto da fronteira com a Ucrânia.
Na área ao redor de Moscou, residências e instalações de infraestrutura foram danificadas, e quatro pessoas ficaram feridas. Na capital, mais de 80 drones foram interceptados, segundo o prefeito Sergei Sobyanin.
Um dos ataques deixou 12 feridos, “a maioria operários” de uma obra próxima a uma refinaria, afirmou Sobyanin.
— A produção da refinaria não foi afetada. Três edifícios residenciais foram atingidos — disse o prefeito.
Também neste domingo, a Força Aérea ucraniana afirmou ter interceptado 279 dos 287 drones e artefatos lançados pela Rússia durante a noite.
Setor de energia no alvo
A Ucrânia tem atingido alvos em território russo em retaliação aos bombardeios diários do Exército de Moscou. Kiev afirma mirar áreas militares, mas também tem atacado estruturas do setor de energia, numa tentativa de reduzir a capacidade da Rússia de financiar a guerra.
A região da capital ucraniana é alvo constante de drones. Moscou, que fica a mais de 400 quilômetros da fronteira, é atingida com menos frequência.
Na sexta-feira, Zelensky disse que o país tinha “motivos para responder” mirando a indústria petrolífera russa, a produção militar e pessoas que, segundo ele, são diretamente responsáveis por crimes de guerra contra a Ucrânia e os ucranianos.
Fim da trégua
Os dois países retomaram os bombardeios após o fim de uma trégua de três dias negociada com mediação dos Estados Unidos, por ocasião das comemorações, na Rússia, do fim da Segunda Guerra Mundial.



