O presidente da Bolívia, o político de centro-direita Rodrigo Paz, anunciou nesta quarta-feira (20) que promoverá mudanças em seu gabinete de ministros para incluir setores sociais que reivindicam participação em seu governo, em um esforço para conter os fortes protestos que exigem sua renúncia.
Paz, com apenas seis meses no poder, enfrenta a pressão social principalmente de camponeses indígenas, transportadores e mineiros, que mantêm há três semanas bloqueios de vias em La Paz e arredores, em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas.
"Temos que reorganizar um gabinete que precisa ter capacidade de escuta", disse o presidente à imprensa no Palácio do Governo, acrescentando que não dialogará com "vândalos", mas que "as portas estarão abertas" para "aqueles que respeitam a democracia".
Paz explicou que, nos últimos dias, seu governo realizou reuniões com organizações sociais, e que a reivindicação foi: "Queremos fazer parte da tomada de decisões".
O governante não especificou quando ocorrerão os ajustes em sua equipe de colaboradores. "Vocês já saberão quais serão essas mudanças", afirmou aos jornalistas.
Também indicou que, na direção de garantir maior presença de setores sociais na tomada de decisões, formará em breve um "conselho econômico e social" para que participem todas as instituições que queiram contribuir com soluções.
Os sindicatos transformaram nos últimos dias a cidade de La Paz em um campo de batalha, com confrontos com a polícia que deixaram ao menos meia centena de detidos. Segundo dados oficiais, há pelo menos 44 pontos de bloqueio em todo o país.
Na manhã desta quarta-feira, o chanceler boliviano, Fernando Aramayo, denunciou que grupos nos protestos buscam enfraquecer o governo e alterar a "ordem democrática e constitucional".
A cidade de La Paz, capital política da Bolívia e principal foco dos protestos, viveu nesta quarta-feira uma jornada de relativa calma, com uma marcha pacífica de centenas de camponeses e transportadores.
* AFP

