Uma juíza do Equador foi assassinada a tiros perto da fronteira com o Peru em meio a um estado de exceção declarado pelo governo em sua luta contra o crime organizado, informaram autoridades nesta terça-feira (12).
A violência não cede apesar da política linha-dura imposta pelo presidente Daniel Noboa, como estados de exceção, toques de recolher noturnos e o deslocamento permanente de militares nas ruas.
Lady Pachar, de 41 anos, foi baleada na segunda-feira por dois pistoleiros em motocicleta na cidade de Machala (sudoeste), quando se deslocava em um veículo sem seus dois guarda-costas, segundo a polícia.
Uma fonte policial disse nesta terça-feira à AFP que a juíza, que havia recebido ameaças em 2025, foi assassinada aparentemente em represália pela libertação de membros de uma quadrilha.
Ana María Jaramillo, secretária da Comissão Acadêmica da Ordem dos Advogados de El Oro, assegurou que juízes e promotores ficam em risco quando o governo revela as identidades daqueles que considera corruptos ou indulgentes com os criminosos.
Que o governo "não seja irresponsável ao expor juízes e juízas que administram a justiça, mas sim lhes dê a proteção necessária e suficiente para que possam atuar com imparcialidade", acrescentou.
Machala é a capital da província costeira de El Oro, na fronteira com o Peru, o segundo país com mais cultivos de narcóticos do mundo, atrás apenas da Colômbia.
Vizinho de ambas as nações, o Equador se transformou no centro de operações de quadrilhas criminosas que escoam a droga pelo Pacífico e lucram internamente com outros delitos, como a extorsão.
Com o apoio do governo de Donald Trump, Noboa tenta conter a violência desde que chegou ao poder em 2023.
Mas as organizações criminosas transformaram o Equador no país mais violento da América do Sul, com 51 assassinatos para cada 100 mil habitantes em 2025, segundo a Insight Crime.
El Oro, com mais de 700 mil habitantes, registrou 720 homicídios no ano passado, segundo Jaramillo.
* AFP


