
O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou, nesta quinta-feira (28), que está classificando as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
"Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a nossa região e pelo nosso país. Hoje, eu designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados", escreveu o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em post nas redes sociais.
A designação de Organizações Terroristas Estrangeiras deve entrar em vigor a partir de 5 de junho. Já a inclusão no grupo de Terroristas Globais Especialmente Designados tem efeito imediato.
Rubio ainda afirmou que o governo Trump vai seguir usando todas as "ferramentas disponíveis para proteger" os "interesses de segurança nacional".
O Departamento de Estado dos EUA também emitiu nota confirmando a medida. "As ações de hoje são tomadas de acordo com a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e com a Ordem Executiva 13224. As designações como Organizações Terroristas Estrangeiras entram em vigor após a publicação no Registro Federal", diz a nota.
Encontro com Flávio Bolsonaro
A inclusão das organizações criminosas brasileiras na lista de terroristas ocorre um dia após encontro de Marco Rubio com o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro.
Na reunião, na quarta (27), o parlamentar teria pedido ao secretário a designação do PCC e CV como terroristas. O senador afirmou que o secretário teria se mostrado favorável à medida.
Na terça (26), Flávio se encontrou com Trump na Casa Branca e também falou sobre a possibilidade em questão.
Logo após a publicação de Rubio, Flávio se manifestou nas redes sociais. "Grande dia", escreveu no X, compartilhando o post do secretário estadunidense.
Governo Lula rejeitou sondagem
O assunto também já havia sido tratado entre o governo Lula e os EUA. Em 6 de maio, a opção foi sugerida durante uma reunião em Brasília, entre autoridades do Brasil e uma comitiva liderada por David Gamble, chefe interino da coordenação de sanções do Departamento de Estado americano. No entanto, o governo brasileiro rejeitou a sondagem feita pela gestão de Donald Trump.
Ainda durante a reunião em Brasília, os enviados da Casa Branca alegaram, segundo relatos de pessoas envolvidas, que a legislação americana permitiria sanções mais pesadas contra PCC e CV se eles fossem enquadrados como terroristas pelo governo do Brasil. Isso porque o sistema penal dos Estados Unidos é mais duro com esse tipo de atividade.
Gamble e sua comitiva também mencionaram que o FBI (a Polícia Federal americana) avalia que o PCC e o CV estão presentes em 12 Estados norte-americanos, como Nova York, Flórida, Nova Jersey, Massachusetts, Connecticut e Tennessee.



