O Departamento de Guerra dos Estados Unidos divulgou, nesta sexta-feira (22), um segundo lote de arquivos desclassificados sobre supostos avistamentos de objetos voadores não identificados (OVNIs).
O pacote reúne 222 documentos com relatos de esferas verdes, discos e bolas de fogo misteriosas, além de vídeos militares e o depoimento de um oficial de inteligência cercado por "orbes laranjas" durante um voo de helicóptero no fim de 2025.
A divulgação faz parte de um processo coordenado pelo Pentágono em resposta a uma diretriz do presidente Donald Trump, publicada em fevereiro de 2026 na rede social Truth Social.
O primeiro pacote havia sido liberado em 8 de maio, quando o governo americano também criou um site para hospedar os arquivos sobre "Fenômenos Anômalos Não Identificados" (UAP, na sigla em inglês).
Vale lembrar que um OVNI, ou um fenômeno classificado como UAP, não significa necessariamente a presença de vida extraterrestre. A nomenclatura indica apenas que não foi possível identificar sua origem nem determinar uma explicação plausível para o ocorrido.
— Estes arquivos, ocultos por trás de classificações, há muito alimentam especulações justificadas, e é hora de o povo americano ver por si mesmo — afirma Pete Hegseth, secretário de Guerra dos Estados Unidos, em comunicado.
Vídeo de OVNI na Síria
Entre os materiais liberados está o vídeo militar denominado "Syrian UAP Instant Acceleration", registrado por um sensor infravermelho de uma plataforma militar dos EUA que operava na Síria em 2021.
No vídeo, é possível visualizar um objeto voador não identificado centralizado na tela. De repente, o artefato atinge uma velocidade muito elevada e desaparece do quadro.
Autoridades do Pentágono ressaltam que as descrições dos vídeos têm caráter informativo e não representam uma conclusão definitiva sobre a natureza dos objetos nem sobre a autenticidade dos eventos registrados.
Sandia, Los Alamos e a Apollo 12
Um dos arquivos divulgados nesta sexta-feira contém 116 páginas de documentação relacionadas a uma série de avistamentos e investigações ocorridos entre 1948 e 1950 em uma instalação ultrassecreta em Sandia, no Estado do Novo México.
Segundo o Departamento de Guerra, o documento reúne 209 relatos de "orbes verdes", "discos" e "bolas de fogo" vistos nas proximidades da base militar.
O lote também apresenta uma extensa lista de avistamentos registrados entre 1946 e 1950, com testemunhos de cientistas, pilotos militares, agentes do FBI e inspetores de segurança de instalações como Los Alamos e Sandia Base.
Muitas dessas observações descrevem as chamadas "bolas de fogo verdes" e objetos em formato de disco que voavam em trajetórias predominantemente horizontais, sem emitir som nem deixar rastros de fumaça.
A inteligência militar da época observou com preocupação que a frequência desses registros se concentrava nas proximidades de instalações governamentais e militares sensíveis.
Outro caso citado envolve a missão Apollo 12, responsável pelo segundo pouso tripulado na Lua, em 1969.
Durante uma avaliação médica da tripulação, o comandante Charles "Pete" Conrad, o piloto do módulo de comando Richard "Dick" Gordon e o piloto do módulo lunar Alan L. Bean relataram ter visto flashes ou "rastros luminosos" enquanto tentavam dormir no escuro.
Helicóptero cercado por "orbes laranjas"
Um dos documentos traz o relato detalhado de um alto oficial de inteligência dos EUA, que descreveu uma série de encontros imediatos com UAPs ao longo de mais de uma hora no fim de 2025. O episódio ocorreu à noite, em uma área de testes militares no oeste americano.
O oficial viajava em um helicóptero com dois pilotos para investigar fortes estrondos ouvidos nas montanhas da região. Durante a missão, após alertas emitidos pelos radares do Centro de Operações Conjuntas, os tripulantes observaram um objeto extremamente quente próximo ao solo que "se dividiu em dois", enquanto um elemento menor emergia e acelerava até desaparecer de vista.
Ao pairarem a cerca de 700 pés (213 metros) de altitude, testemunharam "inúmeros orbes laranjas voando em todas as direções contra o pano de fundo da montanha".
Minutos depois, dois grandes orbes ovais de cor laranja, com centros brancos ou amarelados, acenderam lado a lado, muito próximos ao rotor do helicóptero, emitindo luz em todas as direções. Em poucos segundos, outros orbes se juntaram a eles e formaram uma configuração em "T", antes de escurecer gradualmente e desaparecer.
Na sequência, caças militares que realizavam uma missão de treinamento a 23 mil pés (cerca de 7 mil metros) de altitude entraram no campo visual. Segundo o oficial, orbes do mesmo tipo apareceram diretamente acima dos jatos, passaram a acompanhar sua velocidade e trajetória e exibiram comportamento que parecia "perseguir os caças".
Pedido do Congresso e novo sistema do governo
A divulgação atende, em parte, a um pedido feito em 6 de março por oito membros da Câmara dos Representantes dos EUA, que cobraram acesso a documentos mantidos sob sigilo pelo Departamento de Guerra e pela comunidade de inteligência.
O processo é coordenado pelo recém-criado Pursue (Sistema Presidencial de Abertura e Relatório para Encontros com UAPs), liderado pelo Departamento de Guerra com apoio do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI).
A iniciativa também responde diretamente a uma publicação de Trump na Truth Social, em fevereiro deste ano:
"Devido ao enorme interesse demonstrado, instruirei o secretário da Guerra e outros departamentos e agências relevantes a iniciarem o processo de identificação e divulgação de arquivos governamentais relacionados à vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAPs) e objetos voadores não identificados (OVNIs), bem como quaisquer outras informações ligadas a esses assuntos altamente complexos, porém extremamente interessantes e importantes", escreveu o presidente.
Casos "não resolvidos"
O Departamento de Guerra esclarece que os materiais arquivados no portal representam casos não resolvidos, ou seja, situações em que o governo não consegue determinar de forma definitiva a natureza dos fenômenos observados.
A pasta atribui essa limitação, entre outros fatores, à insuficiência de dados e abre espaço para análises do setor privado.
"Os materiais arquivados se referem a casos não resolvidos, o que significa que o governo não é capaz de determinar de forma definitiva a natureza dos fenômenos observados. O Departamento de Guerra incentiva a aplicação de análises, informações e expertise do setor privado e continuará a produzir relatórios separados sobre casos de UAP resolvidos", informa a pasta em comunicado.
No mesmo texto, o Departamento de Guerra afirma que o governo Trump promove uma "transparência sem precedentes" sobre os UAPs e, em tom conspiratório, acusa gestões passadas de "buscarem descreditar e dissuadir o povo americano".
O processo de abertura desses arquivos começou ainda na década de 1970, quando o governo americano passou a tornar públicos documentos relacionados a objetos voadores não identificados.
O Pentágono já confirmou que um terceiro lote de documentos sobre UAPs está sendo preparado para divulgação nos próximos meses.


