
Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil, afirmou que espera "diálogo" e "boa química" no encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para ocorrer nesta quinta-feira (7).
Os presidentes devem se encontrar na Casa Branca, nos Estados Unidos. A previsão é que Lula deixe o Brasil nesta quarta-feira (6) e retorne na sexta-feira (8), segundo o jornal O Globo.
— Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente — disse a jornalistas.
Para o vice-presidente, a reunião entre os dois presidentes será muito importante, já que os Estados Unidos representam o principal investidor do país.
— A questão tarifária, nós sempre defendemos que tivesse uma relação melhor. Aquele tarifaço não tinha sentido porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não tem com o Brasil — ressaltou.
Conforme Alckmin, a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil será benéfica para ambos os países e deve discutir temas como big techs e terras raras.
— O presidente Lula é do diálogo. Toda orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil e Estados Unidos. É um ganha-ganha. Nós temos aqui mais de 3 mil, quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifaço. E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias — disse.
Segundo ele, há espaço para negociação em questões como big techs, terras raras e minerais estratégicos.
— Vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center. Tem muita oportunidade de investimentos recíprocos — destacou.
O que deve ser debatido na reunião
Tarifaço
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço de 50% que Trump impôs sobre os produtos brasileiros. Dias depois, porém, Trump afirmou que o Brasil e a China ainda seguem sob a investigação de seu governo devido a supostas práticas comerciais desleais.
"Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas", afirmava nota divulgada, na época, pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
Organizações criminosas
Outra pauta que deve ser debatida pelos presidentes na Casa Branca é a possibilidade de que os Estados Unidos classifiquem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Autoridades brasileiras já expressaram receio que a classificação represente um risco para a soberania nacional. Em março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou ao jornal O Globo que considera as facções brasileiras uma ameaça para a segurança da América Latina.
Trump e Lula também devem debater sobre a intenção do Brasil de fortalecer a cooperação entre os países contra o crime organizado — especialmente em relação aos crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de dados financeiros.
Minerais críticos
Os presidentes ainda devem conversar sobre a exploração de minerais críticos como o lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras. A proposta de Washington envolve parcerias entre os governos para garantir acesso aos recursos.
Em fevereiro deste ano, o governo norte-americano convidou o Brasil para fazer parte de uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, mineração e refino de minerais críticos.
Venezuela
A atual situação política da Venezuela também pode ser pauta entre Lula e Trump.
O líder do Executivo brasileiro é crítico da intervenção militar dos Estados Unidos que ocorreu em 3 de janeiro e resultou na prisão de Nicolás Maduro. Desde então, Delcy Rodríguez assumiu a presidência venezuelana, com apoio dos EUA.


